SNS, 43 anos | Rega da ‘Oliveira SNS’

SNS, 43 anos | Rega da ‘Oliveira SNS’

A assinalar os 43 anos da publicação do Decreto-Lei que criou o Serviço Nacional de Saúde, decorreu no Parque Verde do Mondego a cerimónia da rega simbólica da oliveira SNS e, no Pavilhão Centro de Portugal, ali ao lado, o simpósio “As crises sociais e o impacto do SNS”.

Foi exatamente na cerimónia simbólica que o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Carlos Cortes, lançou o desafio ao atual ministro da Saúde, Manuel Pizarro, de “saber juntar as pessoas”, dialogando com profissionais de saúde, doentes e agentes do setor, a quem nos últimos anos, o SNS, a seu ver, “voltou as costas”. Num período em que atravessa “provavelmente, as maiores dificuldades desde a sua criação”, o SNS precisa de um ministro que saiba “serenar o setor” acabando com os conflitos. “As soluções e concretização das soluções virão ‘per si’. Mas estou certo que o desafio do momento é juntar, unir e dialogar”, declarou Carlos Cortes, momentos antes de explicar a matriz do SNS de solidariedade e de humanização.

Ao destacar o trabalho incansável da Liga dos Amigos dos Hospitais da Universidade de Coimbra como motor desta cerimónia da rega da oliveira – a que agora se junta a obra do escultor Mário Nunes representando o Dr. António Arnaut, oferta à cidade da SRCOM – Carlos Cortes sublinhou que este é um dia de festa e de comemoração ao qual apenas lamenta ser o “último ano” a desempenhar as atuais funções.

Ao lembrar o dia em que se regou “um charco de água” – em 2015 – Carlos Cortes explicou a importância e o simbolismo que encerra, em si mesma, a rega da oliveira: isto é, permite que, na mesma cerimónia, se juntem os representantes dos doentes, os representantes dos médicos, a família do Dr. António Arnaut, os representantes do Poder Local, os representantes dos hospitais e os representantes políticos “com entusiasmo e um sorriso que não é habitual noutras circunstâncias”. Momento que não foi pensada por acaso, lembrou: “Isto é que é a ideia do SNS, o SNS é uma obra de uma grande equipa”, tal como dizia o Dr. António Arnaut. Finalizando, Carlos Cortes referiu que “é hora de voltar essa equipa”.

“É verdade que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem dificuldades e tem problemas mas não devemos esquecer que tem forças e provas dadas», disse o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, no seu primeiro ato oficial enquanto governante. Ao participar no ato simbólico de rega da “Oliveira do SNS”, no Parque Verde do Mondego, o titular da pasta da Saúde assumiu o “compromisso” do Governo “para com os valores e fundamentos do SNS», sem esquecer a necessidade de investimento”, lembrando ainda a resposta dada “nos anos terríveis da pandemia, em 2020 e 2021”. Acentuou: “O SNS deu provas e mostrou que é um serviço público em que os portugueses podem confiar, mesmo em comparação com outros serviços públicos de saúde de países mais ricos do que o nosso”, sendo que a boa resposta foi “baseada sobretudo no esforço e dedicação dos seus profissionais”. Acrescentou: “É deles que o SNS depende, no essencial”, afirmou.


No entender de Manuel Pizarro, “também é verdade que, quando reafirmamos o nosso compromisso com os valores do SNS, não podemos esquecer que tem de haver uma atualização e modernização dos serviços, defender o SNS não pode ser uma atitude conservadora em relação a tudo o que temos e à forma de organizarmos os serviços”.

“Nunca pensei ser ministro da Saúde, mas sendo, gostaria de ter recebido o telefonema do Dr. António Arnaut que sempre desejava sorte ao ministro da pasta, fossem de que partido fossem”, disse Manuel Pizarro.

Isabel Garcia, presidente da Liga dos Amigos dos Hospitais da Universidade de Coimbra (LAHUC), que em 2009 iniciou a rega da “Oliveira do SNS”, sublinhou a importância do ato simbólico em que António Arnaut fazia questão de participar, e revelou que se contabilizam 16 as oliveiras plantadas em diferentes municípios do país, no continente e ilhas. “O projeto foi interrompido por causa da COVID-19, mas tal como eu e o Dr. Carlos Cortes prometemos ao dr. António Arnaut, em 15 de setembro 2017, não deixaremos morrer esta cerimónia simbólica”. “Na situação em que está o SNS, as pessoas acabam por aliar a esperança à oliveira, árvore que simboliza a resistência”, sublinhou. Dirigindo-se, em concreto, para o governante da pasta da Saúde, Isabel de Carvalho Garcia “sr. ministro faça alguma coisa pelos profissionais de saúde e pelo SNS”, acrescentando que “é necessário que haja um olhar de carinho e de incentivo para com os voluntários nos hospitais, pois são a parte da humanização dos hospitais”, recordando que foi em 1990 a criação da Liga dos Amigos da Universidade de Coimbra, “criada também por profissionais de saúde que consideraram ser uma grande mais-valia para a humanização dos hospitais e para o apoio aos doentes”, criação que, sublinhou, foi também possível com o apoio dos rotários do Rotary Club de Coimbra.


Entretanto, o presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Carlos Santos, assumiu que “o SNS não é o mesmo que todos dizem defender. São estes momentos que nos interpelam para que consigamos encontrar o máximo denominador comum para obter maior satisfação dos resultados clínicos, maior satisfação dos doentes, maior satisfação dos profissionais e uma melhor utilização dos recursos públicos”.

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva, e ex-bastonário da Ordem dos Médicos, afirmou depositar “enormes expectativas” no novo ministro da Saúde, dando as boas-vindas à cidade que possui o maior centro hospitalar do País.

“Manuel Pizarro”, lembrou o autarca, é “médico, que sente e conhece por dentro os problemas da saúde, ministro com poder político dentro do partido do Governo e desejamos que tenha uma missão cheia de êxitos”. O presidente da Câmara Municipal de Coimbra assumiu: “O SNS merece esta comemoração, mas, sobretudo, precisa desta comemoração para que possa iniciar uma curva de recuperação relativamente às dificuldades por todos conhecidas”, referiu, não deixando de recordar que “precisamos de nos aproximar da despesa per capita da média dos países da OCDE para que seja possível responder às pessoas no cabal cumprimento do 64º artigo da nossa Constituição”.

António Miguel Arnaut, neto do Dr. António Arnaut, alertou para a falta de consenso em torno do novo estatuto do SNS e para a necessidade de uma reforma. “A doença não tem ideologias, as dificuldades na doença que o SNS tenta cumprir não têm ideologias”, afirmou, desejando boa sorte ao novo governante e agradecendo à anterior ministra da pasta da Saúde, Marta Temido. E sistematizou três interrogações/provocações: sobre o financiamento; sobre o regime de dedicação plena; cooperação  e consenso entre os diversos setores público e privado.

A presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, Rosa Reis Marques, a esposa do António Arnaut também participaram na rega da “Oliveira do SNS”.

À rega da oliveira seguiu-se também a participação do ministro Manuel Pizarro na homenagem a Mário Mendes, médico e político de Coimbra falecido em 1997, que foi corresponsável pelo relatório das carreiras médicas e, com o jurista e ministro António Arnaut, pela criação do Serviço Nacional de Saúde. As comemorações dos 43 anos do SNS, promovidas pela Ordem dos Médicos, prosseguiram com o Simpósio “As Crises Sociais e o Impacto do SNS”, no Pavilhão Centro de Portugal.

#Símbolo da esperança
A “Oliveira SNS”, originalmente plantada a 15 de Setembro de 2009, é o símbolo de resistência e de esperança na vitalidade do Serviço Nacional de Saúde, essencial a todos nós, e à concretização do sonho de António Arnaut de “construir uma sociedade mais livre, mais justa e mais solidária”.
Assim, assinalando os 43 anos do Serviço Nacional de Saúde e cumprindo a promessa feita a António Arnaut de perpetuar a luta pela defesa do SNS (o seu mais belo poema, como dizia amiúde), a LAHUC – Liga dos Amigos dos Hospitais da Universidade de Coimbra e a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos levam a cabo esta cerimónia da rega da “Oliveira SNS”.

Um momento de homenagem a todos os intervenientes na defesa do SNS, e em especial à memória dos seus criadores. Sistematizamos quem esteve nesta cerimónia: a Presidente da LAHUC, Dr.ª Isabel de Carvalho Garcia; o Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Dr. Carlos Cortes; Dr.António Miguel Arnaut, em representação da família do Dr. António Arnaut; Presidente Conselho de Administração do CHUC. Dr. Carlos Santos; Presidente da CMC, Dr. José Manuel Silva; e o Ministro da Saúde, Dr. Manuel Pizarro, sendo este o seu primeiro ato público desde que tomou posse como titular da pasta da saúde.


#”Oliveira SNS”


Recorde-se que a Liga dos Amigos dos Hospitais da Universidade de Coimbra – LAHUC – foi a mentora da plantação e rega da “Oliveira SNS”, em Coimbra. A plantação desta primeira “oliveira SNS” realizou-se no Parque Verde da cidade de Coimbra a 15 de Setembro de 2009 (data em que assinalaram os 30 anos do SNS), por iniciativa desta Liga (LAHUC), em parceria com a extinta LAHC – Liga dos Amigos do Hospital dos Covões, com a presença e colaboração activa, entusiasta e participativa do saudoso Dr. António Arnaut.
A partir das comemorações dos 35 anos do SNS (2014), a SRCOM – Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos associou-se a esta iniciativa.
Desde 15 de setembro de 2019 e todos os anos, o Dr. António Arnaut fez questão de nos acompanhar no ritual da rega da oliveira, árvore bem portuguesa, símbolo da paz e da resistência que como o criador do SNS ambicionava e lutava para que também fosse o Serviço Nacional de Saúde.
A última vez que o Dr. António Arnaut nos acompanhou foi a 15 de Setembro de 2017, fazendo-nos prometer que tudo faríamos para perpetuar este símbolo do Serviço Nacional de Saúde. Assim, a LAHUC encetou em 2019 (40 aniversário do SNS) um movimento cívico da plantação da “oliveira SNS” em todos os municípios (continente e ilhas) para que no dia 15 de Setembro, quiçá à mesma hora, se fizesse simbolicamente a rega de uma “Oliveira SNS”.
Segundo a LAHUC, até ao momento foi já plantada a “Oliveira SNS” em vários municípios. Entretanto, amanhã, pelas 10h15, será feita a inauguração e apresentação pública da “Oliveira SNS” de Leiria, que será plantada na rotunda junto aos campos de ténis de Leiria, em São Romão, uma iniciativa do CHL – Centro Hospitalar de Leiria como o apoio da Câmara Municipal de Leiria. O projeto da plantação da “Oliveira SNS”, interrompido devido ao Covid-19, continua, pois, em curso. 

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