Carlos Cortes destaca o papel central do anestesiologista na prestação dos cuidados de saúde

Carlos Cortes destaca o papel central do anestesiologista na prestação dos cuidados de saúde

"Quando somos bons para os outros, somos ainda melhores para nós". A citação de Benjamin Franklin foi a forma de culminar a intervenção do presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, na sessão de abertura da quinta edição das Jornadas de Anestesiologia do Centro que tiveram início hoje, em Coimbra. Justamente o filantropo que, momentos antes, tinha sido citado por uma reputada médica anestesiologista, Cristina Pestana, para dar conta da necessidade de ter experiência, de aprofundar o treino e de guindar a especialidade sempre ao patamar de excelência para melhor proteger o doente e minimizar complicações.
Ora Carlos Cortes, depois de sublinhar o papel fundamental do anestesiologista para a qualidade de vida dos doentes graças ao desenvolvimento técnico e científico desta especialidade, não deixou, porém, de lembrar o grave déficit de médicos desta especialidade na região Centro, citando o mais recente Censos de Anestesiologia elaborado pelo Colégio da Especialidade. O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos lembrou um dado curioso: "por 100 mil habitantes, temos o mesmo rácio dos Açores"

"Como dirigente da Ordem dos Médicos tenho de salientar que não haveria emergência pré-hospitalar se não houvesse anestesiologistas. Sem o vosso contributo e aquilo que fizeram para a evolução da emergência pré-hospitalar seria uma catástrofe absoluta. Sem descurar, obviamente, o vosso papel nos blocos operatórios e nos cuidados intensivos e, também, em muitas unidades intermédias que necessitam de cuidados altamente diferenciados para responder a doentes complexos", assinalou. São fundamentais para o bem-estar da sociedade, sublinhou, lembrando também o papel do anestesiologista no controlo da dor. "Sei também as enormes dificuldades que existem hoje, levando até a quer alguns colegas saiam do Serviço Nacional de Saúde".
Carlos Cortes culminou a sua intervenção deixando um obrigado a todos "pela dedicação e pelo empenho" no cuidar aos outros.

Na sua intervenção, Carlos Cortes recordou o papel percursor de Clarinda Loureiro (também ali presente), por ter iniciado estas jornadas – já com tanto sucesso – e por ter sido a diretora de serviço de anestesiologia do CHUC num momento particularmente difícil, depois de uma fusão extremamente complexa. Carlos Cortes deixou palavras elogiosas para o Colégio de Especialidade de Anestesiologia da Ordem dos Médicos: "Tem inspirado outros colégios no capítulo da formação".

Na sessão de abertura, Lubélia Pegado, na qualidade de presidente das V Jornadas de Anestesiologia ao Centro, recordou a génese desta iniciativa, por iniciativa dos diretores de serviço de anestesiologia do Centro Hospitalar de Baixo Vouga , do Centro Hospitalar de Leiria, do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra: "Sentiram a necessidade e a importância da troca de ideias e de conhecimentos técnico-científicos , bem como a necessidade de dinamizar a cooperação institucional entre hospitais da região Centro. Esta ideia tornou-se uma realidade concreta em 2015, em Coimbra". Seguiram-se Viseu, Coimbra, Aveiro. Este evento, acrescente-se, decorrerá no próximo ano em Leiria.

"A Medicina como hoje a conhecemos não seria possível se a anestesiologia não tivesse sido inventada", asseverou a atual diretora de serviço de Anestesiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, acentuando a dimensão transversal a todas as especialidades médicas e cirúrgicas e também a que mais terá evoluído nos últimos anos. Na sua intervenção, que marcou o arranque oficial da quinta edição destas Jornadas, lembrou: "Tendo como base uma cultura de segurança e de prevenção do risco, que permite procedimentos seguros, a anestesiologia é hoje uma especialidade de grande exigência e responsabilidade". Lubélia Pegado acentuou ainda que "a prática anestésica nos nossos dias tornou-se numa atividade de grande rigor científico e técnico, a eficiência é regra fundamental, exigindo uma formação científica sólida e uma capacidade técnica consolidada e assertiva.".

No seu discurso, Lubélia Pegado fez uma resumida comparação entre "o anestesista que se limitava a aliviar a dor da cirurgia" e o desempenho do "anestesiologista de hoje que domina a anestesia dentro e fora do bloco operatório, a medicina da dor, a reanimação e a catástrofe, a emergência médica e os cuidados intensivos". Acentuou, pois, que "como especialidade independente", esta "ocupa o lugar central de um conjunto de especialidades, não só cirúrgicas mas também médicas bem como está presente em todo o hospital".
"Nunca se exigiu tanto à anestesiologia e aos anestesiologistas como nos dias de hoje. Já ouvimos falar da anestesiologia em situações de catástrofe, salientando a importância do anestesiologista nestas situações, basta lembrar-nos dos trágicos incêndios de 2017 e da excelente prestação das equipes de anestesiologia na triagem, manutenção e tratamento e transporte dos doentes queimados em vários centros hospitalares da região Centro", sublinhou a presidente destas jornadas, não esquecendo as carências de recursos humanos a nível nacional e regional. Tal decorre, a seu ver, "não só devido ao contínuo aumento de solicitações das mais variadas áreas da medicina como também pela assimetria verificada nas distribuição dos especialistas".

Para a representante do Colégio da Especialidade de Anestesiologia, Valentina Almeida, e também membro da equipa que integrou a comissão organizadora desta jornadas, destacou o facto de estarmos a olhar para uma nova era da anestesiologia tal como o tema central deste evento evidencia. "Todos nós, olhamos para trás e vemos outros fármacos, outros sítios que anestesiamos, mas também as catástrofes estão a vir até nós e temos um papel muito importante". "Nos últimos nove anos saíram da especialidade provavelmente 100 internos, temos de ter orgulho de pertencer à região Centro".

O Diretor clínico do CHUC, Francisco Parente, também nesta sessão de abertura oficial, felicitou a organização destas jornadas não só por ligar os vários serviços da região Centro numa "cooperação prática" como também pelo tema escolhido, uma vez que esta área mudou muito, considerando ser um enorme desafio para os hospitais não só pela evolução das patologias como dos próprios doentes. Motivos pelos quais considera fundamental uma análise e reflexão à forma de avaliação. Por último destacou o contributo do serviço de anestesiologia do CHUC para a formação interna e externa (através da simulação).

Na mesa de abertura oficial, estiveram também os diretores de serviço de anestesiologia da região Centro: Adelina Almeida, do Centro Hospitalar do Baixo Vouga; Maria do Carmo Rocha, em representação de Elisabete Valente do Centro Hospitalar de Leiria, Cláudia Pereira, em representação de José Pedro Assunção do Centro Hospitalar Tondela-Viseu.

O programa das V Jornadas de Anestesiologia ao Centro abordou a "Anestesiologia em Situção de Catástrofe, a "Anestesia Fora do Bloco Operatório", "Green Anesthesia" entre outros temas. No próximo ano, o evento, recorde-se, decorrerá em Leiria.

 

Texto e Fotos ©SRCOM / Paula Carmo

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