Apresentação do livro “Psiquiatria Básica em Medicina Familiar” em Coimbra

Apresentação do livro “Psiquiatria Básica em Medicina Familiar” em Coimbra

 A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) acolheu no dia 16 de maio, quinta-feira, a sessão de apresentação do livro "Psiquiatria Básica em Medicina Familiar". Coube à vice-presidente da SRCOM, Inês Rosendo, dar as boas-vindas, agradecendo a amigos e autores desta obra (ela também é uma das co-autoras da obra) e fez ainda questão de enaltecer, sob a forma de incentivo, os colegas médicos que se disponibilizam a "pôr por escrito aquilo que é o nosso Juramento hipocrático", i.e., de "transmitir o que sabemos e cooperar com os outros médicos para bem dos doentes".

A sessão prosseguiu com a apresentação da obra, a cargo de José Manuel Silva. O ex-Bastonário da Ordem dos Médicos quis, desde logo, transmitir o seu respeito pelos 44 autores deste livro – uma vez que, com ele, demonstram uma grande capacidade de cooperação e de organização – e enalteceu também o trabalho dos quatro coordenadores da obra: Horácio Firmino, médico especialista em Psiquiatra, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC); Luiz Miguel Santiago, médico especialista em Medicina Geral e Familiar, docente Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, membro do Gabinete de Ética e Deontologia da SRCOM; Joana Andrade, médica especialista em Psiquiatria, assistente convidada da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; e Vasco Nogueira, médico especialista em Psiquiatria, coordenador do Gabinete de Apoio ao Médico da SRCOM. O ex-Bastonário da Ordem dos Médicos começou por fazer o enquadramento da obra citando dados da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. Citamos alguns dos dados: "Mais de um quinto dos portugueses sofre de uma perturbação psiquiátrica (22,9%); Portugal é o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa; as perturbações de ansiedade são as que apresentam a prevalência mais elevada, seguidas pelas perturbações de humor". E salientou ainda uma outra nota: "O registo nacional de doenças de saúde mental por parte dos cuidados de saúde primários registam um aumento progressivo, com o predomínio das perturbações depressivas logo seguidas das perturbações de ansiedade".

Para o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, "lamentavelmente, em Portugal, o investimento é baixo demais na área da prevenção e, também, para enfrentar e responder às necessidades dos doentes". Destacou ainda o facto desta obra ser uma excelente ferramenta para todos os colegas, e não apenas para os de Medicina Geral e Familiar: "Louvo o esforço de todos os médicos que construíram este livro, muito bem escrito, tecnicamente rigoroso (…). São 330 páginas de ciência e de saber", sublinhou, dando conta, por exemplo, do último capítulo que é dedicado à violência doméstica. Em jeito de síntese e parabenizando todos os autores e coordenadores, afiança: "depois de lermos a obra, todos seremos melhores médicos".

Em seguida, o Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Horácio Firmino, fez oito agradecimentos de forma especialmente enfática e sentida: à Ordem dos Médicos, pela honra de apresentar a obra "na casa de todos os médicos"; ao professor José Manuel Silva, pela disponibilidade, desde o primeiro minuto, para apresentar o livro neste evento; e à família de todos os intervenientes. Por outro lado, deixou bem vincada a ideia de que esta obra não seria possível sem os colegas mais novos. No leque dos agradecimentos, uma palavra também para a editora e para a família do autor da pintura que está plasmada na capa. "Usamos esta imagem porque ela representa muito o que é a psiquiatria e o que é a Medicina Geral e Familiar", acentuou. Agradeceu "ao mestre" que o ajudou a crescer e que ajudou a criar e a crescer o serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra e, na presença ali de duas filhas do 'mestre': ao Professor Vaz Serra, por tudo o que fez em prol da Psiquiatria em Coimbra". Por fim, aos tipógrafos, revisores, fotógrafo da capa e a quem patrocinou a obra. Em síntese, num agradecimento a todos, vaticinou: "que esta seja uma semente para outros projetos no futuro".

Por seu turno, Luiz Miguel Santiago, docente Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, membro do Gabinete de Ética e Deontologia da SRCOM, deu nota da incrível tarefa de ser um dos coordenadores da obra, agradecendo, de forma bastante encomiástica, a todos os autores. Sobre o tema da obra, assumiu ainda o também médico de família: "Ás vezes precisamos do tempo, o tempo é sempre um grande aliado; pensar que, na terapêutica podemos necessitar de ajudas da Sociologia, da Psicologia, a Gerontologia social. Quando um médico tem à sua frente uma pessoa com muitas doenças, há uma grande probabilidade de levar mais um medicamento após a consulta, mas temos de pensar: quais as estratégias que podemos passar numa consulta para que a pessoa possa lidar melhor com os seus problemas?". Para o docente universitário, esta é também uma obra crucial para os alunos de Medicina e para os médicos ainda em formação (de todas as especialidades). O médico especialista em Medicina Geral e Familiar assumiu também estar disponível para próximos desafios, afirmando sentir-se muito honrado com esta participação nesta obra.

Na sessão, a intervenção seguinte coube a outra coordenadora da obra, Joana Andrade, médica especialista em Psiquiatria, e assistente convidada da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, as sumiu que muito da predisposição para fazer parte desta obra vem da vivência familiar. "O médico de família tem uma arma fundamental, que é o acesso à família e ao ambiente sociocultural em que o doente está inserido que, muitas vezes, na área hospitalar não temos acesso. Portanto, este estreitar de relações é fundamental", esperando que esta obra seja útil para todos os colegas, para que seja de consulta rápida para que ajude no quotidiano do médico de família.
Antes de sessão de autógrafos seria Vasco Nogueira – médico especialista em Psiquiatria, coordenador do Gabinete de Apoio ao Médico da SRCOM – o último orador enquanto coordenador da obra. "Senti um enorme privilégio e gosto em trabalhar nesta obra", assumiu. "Os novos internos e os jovens especialistas são incríveis. É preciso que os serviços valorizem a produção, a investigação e a publicação de conhecimento. Deve haver uma cultura de promoção curricular nesta área do Serviço Nacional de Saúde, também para reforçar o próprio SNS".
Por fim, Ana Gaspar, representante da Editora Lidel, salientou a mais-valia deste extraordinário trabalho coletivo. Num remate sucinto, o Professor Horácio Firmino não quis deixar de sublinhar: "Quando estamos a produzir ciência, há sempre alguém que está subjacente à nossa preocupação: os nossos doentes".

A sessão, com forte participação, decorreu na sala Miguel Torga na sede da SRCOM (Avenida Afonso Henriques, nº39), no dia 16 de maio, quinta-feira, a partir das 18h00.

Texto e Fotos ©SRCOM / Paula Carmo

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