“Nos Bastidores da Medicina – Reflexões autobiográficas que nunca pensei escrever” apresentado na Ordem dos Médicos

“Nos Bastidores da Medicina – Reflexões autobiográficas que nunca pensei escrever” apresentado na Ordem dos Médicos

Foi apresentado dia 17 de abril, na Ordem dos Médicos em Coimbra, o mais recente livro do médico e escritor Cândido Ferreira, obra intitulada "Nos Bastidores da Medicina – Reflexões autobiográficas que nunca pensei escrever" com chancela das Edições MinervaCoimbra.

Foram oradores na sessão: Isabel de Carvalho Garcia, a Editora; Vasco Pereira da Costa, escritor e artista plástico; Diogo Cabrita, Cirurgião e escritor; Júlio Leite, Cirurgião e Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; Cândido Ferreira, Médico nefrologista, autor da obra; e o anfitrião, Carlos Cortes, Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos que destacou a visão holística do autor e a intensa preocupação com a sociedade.

Carlos Cortes asseverou ainda que este dia é um marco da liberdade que o autor quis também perpetuar com esta apresentação na Ordem dos Médicos.
A editora, por seu turno, destacou o "agradável percurso" desde que editou a obra "Setembro Vermelho" em julho de 2012 tendo em conta que Cândido Ferreira é "um homem especial".

Numa apresentação pontuada por várias revisitações a nomes tão marcantes da literatura portuguesa – tais como Torga, Namora, Fialho de Almeida – o Professor Vasco Pereira da Costa acentuou, a propósito de "Nos Bastidores da Medicina – Reflexões autobiográficas que nunca pensei escrever": "Este livro reflete as andarilhanças do autor mas o título conduziu-me a outra abordagem "bastidores" que me levam ao campo semântico do palco da vida".

O escritor Vasco Pereira da Costa, ligando esta obra à data que ontem se assinalava em Coimbra e no País, lembrou que aquele tempo e aquelas memórias de Cândido Ferreira que agora nos são legadas , era o tempo em que "Coimbra ganhava espaço na universalidade". Por isso, e entre muitas outras justificações, Cândido Ferreira "deixa-nos um legado bastante precioso".
Já o cirurgião Diogo Cabrita lembrou que este livro é "uma tentativa de repor a verdade". Usando um quadro em branco, o também escritor usando os seus dotes de quiromancia, descreveu com desvelo e intensidade as diversas qualidades e formas de estar na vida do seu colega Cândido Ferreira.
Por seu turno, o professor catedrático Júlio Leite lembrou o lado insubmisso, idealista do autor. "Merece atenção nas inquietações que mostra no seu livro", defende o cirurgião Júlio Leite.

Neste livro, através de uma escrita fluída, pejada de humor e de crítica mordaz, sem medo de expressar a sua opinião e de usar remates estilísticos de minúcia e ornamentos de filigrana, o autor, natural de Febres (Cantanhede) mostra-nos o seu percurso de vida e os "casos dignos de relato" com que se confrontou, ao longo de mais de quatro décadas. São histórias com gente dentro e que, ao mesmo tempo, sensibilizam o leitor para os sempre renovados caminhos no exercício da Medicina. "Dá-me muito prazer ser incómodo", confessou o autor, confessando o seu gosto para que este livro seja lido, entre outros, por estudantes de medicina.

# O autor:
Médico
Nascido em Febres (Cantanhede/1949), onde frequentou a escola primária, cumpriu o restante percurso escolar em Coimbra, culminando o curso de Medicina em 1973.

Reconhecido pela sua generosidade e dedicação aos doentes.
Cândido Ferreira, médico nefrologista, sempre disponível para os doentes. Com um notável percurso profissional, em 1976 foi o grande impulsionador do Hospital de Pombal, do qual foi diretor.

Entre 1978 e 1982, foi Assistente de Nefrologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tendo ainda frequentado um estágio em Lyon (1980) na área da transplantação renal. aos Hospitais da Universidade de Coimbra, Cândido Ferreira integrou o programa de "Enxertos de Rim" na Zona Centro.

Segundo o seu curriculum, esteve na organização da primeira consulta de transplantação em Portugal, na primeira colheita de órgãos e acompanhou clinicamente a primeira – e bem-sucedida – transplantação renal com rins de cadáver, sendo o único médico não-cirurgião.

Em 1982, enveredou pela diálise privada a partir de Leiria, mas nunca esqueceu a vertente formativa, área em que deu importantes contributos não só à Medicina, mas também à Enfermagem.

Escritor

É um escritor de pensamento livre, marcado pelo humanismo.
Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, trabalhador-estudante, delegado de curso e atleta da Associação Académica de Coimbra.
É autor dos romances "O Senhor Comendador", "A Paixão do Padre Hilário" e "Setembro Vermelho" e de três livros de crónicas – "Os Burros", "Esmeralda-Sim! …" e "Pelas Crianças de Portugal – A propósito de Esmeralda e de outras causas". Foi ainda porta-voz de um movimento na blogosfera, criado em torno do "Caso Esmeralda" e coordenador de uma edição sobre Alexis Carrel (Nobel da Medicina em 1912).

Já em 2018, publicou mais dois livros: "Pegadas Recentes… – Integrado nas comemorações do encerramento da atividade médica" e "A transplantação em Portugal – O meu testemunho".
No romance histórico "Setembro Vermelho" confluem as suas vivências da crise académica desencadeada a 17 de Abril de 1969, em Coimbra, comemoração a que simbolicamente se quis associar, cinquenta anos depois, com o lançamento desta nova obra.
Cândido Ferreira foi distinguido na Enciclopédia de Artistas Médicos e na Antologia de Ficcionistas da Gândara. Desde 2009, é membro convidado da Sociedade Portuguesa de Escritores.

Intervenção pública/Cívica
Tem tido várias intervenções na esfera política. Não desiste de lutar nas causas em que acredita.

Durante mais de 40 anos de dedicação à Medicina, multiplicou-se também em inúmeras iniciativas nas áreas cultural, social, cívica, associativa e autárquica.
No início deste mês de abril, ofereceu a Cantanhede o seu espólio de mais de novecentas mil peças que reuniu, estudou e preservou ao longo da sua vida, para a criação do Museu de Arte e Colecionismo.
Apresentou a sua candidatura à Presidência da República a 25 de abril de 2015.

Apresenta este livro a 17 de abril, na Ordem dos Médicos em Coimbra. Data emblemática!!!!!! Há 50 anos, os estudantes de Coimbra começaram a trilhar os caminhos da revolução de abril.

 

© Texto e Fotos/SRCOM – Paula Carmo  

 

 

 

 

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