“Esta etapa profissional é crucial e sem ética não há Medicina”, sublinhou Carlos Cortes

“Esta etapa profissional é crucial e sem ética não há Medicina”, sublinhou Carlos Cortes

O Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos participou na receção aos 74 novos médicos de Castelo Branco e Covilhã, num evento que decorreu numa unidade hoteleira albicastrense.
Carlos Cortes lançou o repto aos médicos internos que começaram a trabalhar nas unidades de saúde da Beira Baixa e exortou-os a trabalhar nas unidades de saúde daquele distrito: "Há um desafio pela frente: salvar o Serviço Nacional de Saúde". Só é possível com a vossa ajuda. Vocês são os médicos do futuro e sem a vossa presença nos serviços, perdemos a inovação".

Esta sessão organizada pela Sub-regional da Ordem dos Médicos (OM) de Castelo Branco, liderada por Ernesto Rocha, contou com a participação do Presidente da Mesa da Assembleia da Sub-regional de Castelo Branco, Francisco Coito Elias, e muitos outras personalidades que integram a Ordem dos Médicos de Castelo Branco, designadamente os médicos Rui Filipe, Jorge Monteiro, Luís Fernandes e Filipe Reis. Nesta receção aos jovens médicos estiveram também o representante da Comissão Internato Médico do hospital Cova da Beira, Carlos Gomes; Coordenador do Conselho Científico da área de Saúde da Universidade da Beira Interior, Luís Taborda-Barata; o presidente do Conselho de Administração do Hospital Amato Lusitano, Vieira Pires; e a responsável pela a direção clínica da ULS de Castelo Branco, Maria Eugénia.
Foi em ambiente alegre e animado que decorreu este evento. "É um momento importante, este encontro dos médicos internos com a sua Ordem", destacou Carlos Cortes. Depois de agradecer o trabalho de Ernesto Rocha, diretor de Serviço de Nefrologia da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, e que está há duas décadas à frente dos destinos da Ordem dos Médicos em Castelo Branco, Carlos Cortes enalteceu e alargou o elogio ao trabalho de toda a equipa da OM. "Sempre foi uma pessoa muito franca comigo, com a direção da Ordem Médicos regional, franco e leal, valores humanos que muito agradeço", vincou.
Ao intervir antes do jantar, Carlos Cortes dirigiu-se particularmente aos jovens médicos internos (formação geral e formação específica) que escolheram as unidades dos Serviço Nacional de Saúde do distrito de Castelo Branco, quer uns quer outros, em comum, o facto de estarem no período de formação que "é muito importante" no percurso.
Ouçamos a intervenção do presidente da SRCOM: "Queria que refletissem sobre este período formativo: em primeiro lugar, ele é altamente valorizado pela Ordem dos Médicos e por todos os médicos. Estão a atravessar uma etapa da vossa vida profissional na qual a OM dedica mais de 80 por cento da sua atividade, quer através dos órgãos de direção quer dos Colégios de Especialidade. A formação médica é 'joia da coroa' da Ordem dos Médicos; está inscrita no vosso juramento, é uma ligação milenar entre todos os médicos. (…)Nós sabemos que, se não formarmos bons médicos em Portugal, não vamos ter bons especialistas e será mais difícil tratarem dos vossos doentes. Se, hoje, não valorizarem a vossa formação, os vosso doentes não vos perdoarão. Porque o que eles esperam é serem bem tratados, com qualidade. Nenhum doente vos vai agradecer, ao final do dia, por ter realizado 60 ou 70 consultas. Mas vão agradecer-vos porque o tratam bem, porque o compreenderam, porque estabeleceram uma ligação com ele. Porque souberam resolver ou encaminhar o seu problema. É isso que as pessoas – não os utentes, não os clientes – esperam de vós. (…) A formação tem vários agentes, a Ordem dos Médicos, a Administração Regional de Saúde, os orientadores de formação, os diretores de internato médico, mas o agente mais importante da formação médica são vocês"!. (…) Sejam exigentes. Quem melhor avalia a qualidade da formação médica são os internos. Se não se incomodarem porque não vos dão espaço para a aprendizagem, não terão uma boa formação. Se não exigirem o cumprimento integral do vosso programa de formação, estão indiretamente a prejudicar os doentes de amanhã. O vosso papel, a vossa responsabilidade na formação médica é a maior de todas. E têm esta obrigação moral de exigir, denunciar, reportar o que não está a ser feito da melhor forma para que sejam médicos especialistas de elevada qualidade. Em Portugal se não forem especialistas de elevada qualidade, no Serviço Nacional de Saúde, nos hospitais, nos centros de saúde, não conseguirão dar a volta à situação. As pessoas contam convosco para dar a volta à situação. (…). ".
Prosseguiu o presidente da SRCOM: "Há outro aspeto que foquei: os conceitos de ética e deontologia. Eu acrescentaria ainda, o conceito de humanismo. Você podem ser médicos ou licenciados/mestrados absolutamente brilhantes mas se não souberem respeitar a ética, se não souberem cumprir com o vosso código deontológico, e criar o afeto com os vossos doentes – lamento imenso – mas não serão médicos. Porque os médicos têm essa responsabilidade que é também milenar, única: a ligação médico-doente. "

 

Legenda da primeira foto:
Francisco Coito Elias (Presidente da Mesa da Assembleia da Sub-regional de Castelo Branco), Carlos Cortes (Presidente da Secção regional do Centro da Ordem dos Médicos) e Enesto Rocha (Presidente da Sub-Região da Ordem dos Médicos de Castelo Branco).

 

Texto e Fotos ©SRCOM / Paula Carmo 

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