Apresentação do estudo “Burnout na Classe Médica”: “Não devemos ter medo de mostrar os resultados”, assumiu Carlos Cortes

Apresentação do estudo “Burnout na Classe Médica”: “Não devemos ter medo de mostrar os resultados”, assumiu Carlos Cortes

O estudo da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) revela que a exaustão emocional afeta 40.5% dos médicos da região Centro. Este estudo, que pretendeu apurar os níveis de exaustão, de despersonalização e de não realização profissional (as três dimensões de Burnout) – e cujos resultados foram apresentados, em detalhe, a 14 de julho, na Sala Miguel Torga – é um trabalho inédito em Portugal, no qual ficaram registados 2330 profissionais, o que representa 29 % do número total de inscritos na SRCOM (8042 médicos). Dos 2330 profissionais, 1577 têm as respostas validadas, o que representa 20 % do total de inscritos. Da amostra dos 1577 médicos, 63.2% (996) são mulheres e 36.8% (581) são homens. A preocupação com o bem-estar dos seus associados e dos doentes levou a SRCOM a procurar conhecer a realidade da incidência do Burnout nos médicos da Região Centro. Isso mesmo referiu Carlos Cortes, presidente da SRCOM, aquando da apresentação, seguida de debate.

O resultado deste importante estudo evidencia o impacto negativo que a má organização do sistema de saúde tem tido nos seus profissionais, reconheceu Carlos Cortes. A pressão exercida sobre os profissionais de saúde, a falta de condições para o exercício adequado da sua atividade, a desumanização e a burocratização do sistema, bem como a falta de perspetivas profissionais levam cada vez mais profissionais à propensão para desenvolver síndrome de Burnout. "Os médicos são seres humanos, não devemos ter resistência em mostrar os resultados", sublinhou.
"Este é um sério aviso para o Ministério da Saúde encontrar novos modelos de organização das instituições de saúde cujos responsáveis também se devem preocupar com os seus profissionais", apontou ainda o presidente da SRCOM. No entender de Carlos Cortes, "estes resultados são fruto da evolução do sistema de saúde em Portugal que tem colocado uma pressão sobre os profissionais, sob o jugo da quantidade em detrimento da qualidade. ".
Esta sessão contou com as intervenções de José Augusto Simões, responsável do Gabinete de Apoio ao Médico (Doutor, Medicina Geral e Familiar, USF Marquês de Marialva), Ana Paula Cordeiro (vogal do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos), Fernanda Duarte, Psicóloga Clínica, (Consulta de Burnout, Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) e João Redondo, Médico (Psiquiatra, Coordenador do Centro de Prevenção e Tratamento do Trauma Psicogénico, Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra/Vogal do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos). Explicaram metodologias, os conceitos e os objetivos. "A natureza do trabalho e ambiente de trabalho influenciam significativamente a nossa saúde; nós passamos muito tempo da nossa vida em ambiente de trabalho. Há um conjunto de riscos que podem conduzir à deterioração na saúde física e mental", lembrou o médico psiquiatra João Redondo. Por um lado, frisou, urge não esquecer o ambiente hostil em face da crise económica e social. Fatores que podem, a seu ver, potenciar os fatores de risco nos locais de trabalho. Razaão pela qual o psiquiatra tenha feito um apelo no sentido dos gestores e dos próprios governantes para não escamotearem estes problemas.

 

 

Eis os membros do Grupo de Trabalho / Estudo "Burnout na Classe Médica" da SRCOM:
– Carlos Cortes, Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos
Ana Paula Cordeiro, Médica (Medicina Geral e Familiar; Coordenadora da Unidade de Saúde Familiar (USF) Fernando Namora; Vogal do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos)
– Fernanda Duarte, Psicóloga Clínica, Mestre (Consulta de Burnout, Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra)
– José Augusto Simões, Médico, Doutor (Medicina Geral e Familiar, USF Marquês de Marialva, Cantanhede)
– João Redondo, Médico (Psiquiatra, Coordenador do Centro de Prevenção e Tratamento do Trauma Psicogénico, Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra)
– João Amílcar,Médico (Psiquiatra, Responsável pela Consulta de Burnout do Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra)
– Catarina Pestana, Médica (Internato de Medicina do Trabalho, Serviço de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra)
– Maria Isabel Antunes, Médica (Medicina Ocupacional, Diretora do Serviço de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra)
– Joaquim Viana, Médico, Doutor (Anestesiologista, Professor da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior)
– Pinto Gouveia, Médico, Doutor (Psiquiatra, Professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra)
– Sónia Pimenta, Médica (Internato Complementar de Psiquiatria,Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra)
– Teresa Lapa, Médica, Mestre (Anestesiologista, Serviço de Anestesiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, aluna de Doutoramento da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior).

 

 

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