Celebração dos 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos: Carlos Cortes destaca a dedicação e entrega dos médicos em defesa dos doentes e dos valores da Medicina

Celebração dos 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos: Carlos Cortes destaca a dedicação e entrega dos médicos em defesa dos doentes e dos valores da Medicina

Numa cerimónia cheia de emoção e alegria, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos homenageou os médicos que completaram 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos. Dia de festa, momentos de celebração, oportunidade para rever colegas que lotaram a Sala Miguel Torga, escutar o Coro da Ordem dos Médicos dirigido pelo maestro Virgílio Caseiro. Mas estes não foram os únicos intervenientes musicais de um fim de tarde especial.
Nesta cerimónia, conduzida por Inês Mesquita (vogal do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos) e em que se evocou o Dia do Médico, o Professor Poiares Baptista fez uma brilhante intervenção: " O que vos dizer, caros colegas?". À pergunta retórica, respondeu: " Festejar os 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos tem algum significado. Exercer a profissão durante 25 anos é ainda relativamente pouco e pouca coisa, embora esteja certo que as vossas preocupações têm sido frequentes como frequentes têm sido os problemas de diagnóstico a resolver, as terapêuticas a decidir e as incertezas nos prognósticos. Festejar os 50 anos, já dá uma outra visão. Não terão, certamente, um passado profissional sem falhas (ninguém tem), terão tido dificuldades nas habilitações terapêuticas e nos prognósticos inesperados". Depois de recordar o seu curso médico que festejara 65 anos escassos dias antes desta cerimónia, o professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra assumiu: "Estou certo que, nenhum dos colegas presentes, a começar por mim, está arrependido de ter sido médico. (…) Não devo fazer comparações entre gerações. os mais velhos como eu dirão "no meu tempo", mas, na realidade no tempo, estão outros. As mudanças são muito rápidas, as exigências da vida social e da atividade médica são bem diferentes: os doentes são os mesmos, mas, comportam-se de modo diferente, são talvez, mais exigentes (…). Para o professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, continuando a descrever 'o doente de hoje´ refere que "é crítico em relação ao médico que não o trata como ele deseja e as queixas são muitas". Nesta análise aos longo dos tempos, Poiares Baptista também lembra as modificações atinentes ao sistema público de saúde e ao modelo organizacional que o suporta: "as carreiras médicas não são as que eu conheci, o sistema de ensino e de aprendizagem, as patologias, os métodos de diagnóstico e as terapêuticas têm sofrido imensas modificações". Razões – estas e outras – que invocou para justificar a sua reforma há seis anos. O antigo diretor dos Hospitais da Universidade de Coimbra (1975 – 1979) – cargo que assumiu ter gostado mais de exercer de entre os muitos que assumiu, "a medicina hoje não é a mesma que me foi ensinada (…). Todos sabemos que temos de continuar a ser estudantes de medicina, sempre assim foi e continuará a ser. E, por fim, resumiu a sua intervenção da seguinte forma: "Tal como o homem doente permanece o mesmo ser humano que necessita da assistência do médico, também o homem médico deve pautar-se pelas mesmas exigências e os mesmos princípios expressos no Juramento de Hipócrates: são razões para que exerçamos a nossa profissão com honestidade e orgulho".
Depois desta intervenção, João Pestana, atual presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade de Coimbra, expressou a 'honra' de integrar este dia festivo. "Ouvi um discurso inspirador do Prof. Poiares Baptista e enquanto aluno que agradeço a todos. Você não desistiram, mantiveram-se muito resilientes e mostraram-nos que é possível batalhar na nossa vida profissional. Toda a pressão a que estamos sujeitos, é facilmente compensada pela vertente humana, pelos sorrisos, pelos agradecimentos, pelos abraços no final de uma consulta…". Concluiu, agradecendo aos homenageados pelos 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos: "Sem vocês, o estado da formação médica não teria os patamares de qualidade que é reconhecida internacionalmente. Espero que não seja o fim de um ciclo, se me inspiraram a mim, vão inspirar muitas outras pessoas para ingressar neste curso".
Antes do descerramento das placas alusivas ao momento, foi a vez do anfitrião desta sessão agradecer as "palavras de esperança" de João Pestana e o contributo do Professor Poiares Baptista que "continua a ser meu mestre". Assumiu Carlos Cortes: "É importante mantermos esse sentimento de esperança e de continuarmos a lutar por aquilo que defendemos na Medicina, nomeadamente os valores da ética e da deontologia. Quero, sobretudo, agradecer aos colegas que estão aqui hoje, que vieram para festejar o Dia do Médico, que foi antecipado. Desde há dois anos, mudámos o figurino deste dia, é para celebrar a Medicina mas para também para celebrar os médicos que deram de si e se empenharam pelos seus doentes e pela Medicina- e com a evolução da Medicina, daqui a alguns anos vamos ter que instituir a medalha dos 75 anos – este dia é para homenagear aqueles que acreditam nos valores da Medicina. O vosso exemplo é muito importante. Este é a última entrega de medalhas deste mandato que eu liderei. Foi, para mim, uma grande honra representar os médicos. Não são palavras de circunstância, são palavras de coração. A mim também me emociona muito este momento, por representar esta classe tão dedicada aos valores da ética, aos valores da deontologia, à relação com os doentes". Carlos Cortes deu conta, aliás, que estará nas várias capitais de distrito a realizar idêntica cerimónia. Como recordou o presidente da SRCOM, Coimbra foi palco de duas reuniões internacionais de enorme significado, no âmbito das quais se considerou a pertinência e importância de entregar uma proposta à UNESCO para que a relação médico-doente seja classificada Património Imaterial da Humanidade. "A nossa relação com o nosso doente está acima de tudo e isso é muito importante para os mais jovens". Disse ainda: "Celebramos o legado que deixamos às futuras gerações. Um desses importantes legados é o Serviço Nacional de Saúde. Quem o construiu não foram, apenas, os dirigentes políticos (mesmo com nomes fundamentais do advogado António Arnaut e do médico Mário Mendes). Se hoje existe um serviço público de saúde sólido é, sobretudo, graças aos profissionais". Antes de concluir a intervenção, Carlos Cortes destacou a importância da "história milenar da Medicina, transmissão de conhecimento, a transmissão dos valores éticos que fazem parte do ADN da Medicina".
Findas as intervenções, foi possível visionar alguns momentos marcantes da cerimónia do ano anterior.
A atuação de Coimbra Gospel Choir culminou a cerimónia que lotou a Sala Miguel Torga. Foi esta a segunda surpresa musical desta cerimónia. E as palmas irromperam ao ritmo deste grupo vocal de extraordinária qualidade! Os parabéns são extensivos a todos os que receberam a medalha evocativa dos 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos.

 

 

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