A festa e as homenagens no Dia Mundial do Médico de Família

A festa e as homenagens no Dia Mundial do Médico de Família

O Teatro Académico de Gil Vicente foi palco, mais uma vez, da festa do Dia Mundial de Família. Casa cheia para a evocação de dia especial! Mas a celebração deste dia ficou também marcada, durante a tarde, pela inauguração do Monumento ao Médico de Família, uma peça escultórica da autoria do médico Dimas Simas Lopes, que a partir de agora está na Rotunda do Alto de S. João. Esta obra – construída com o apoio da Ordem dos Médicos, da Unidade Curricular de Medicina Geral e Familiar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e da Câmara Municipal de Coimbra – imortaliza a homenagem a todos os médicos de família da região Centro e ficará como um marco artístico da Avenida Fernando Valle (da rua do Brasil à Estrada da Beira). Fernando Valle, recorde-se, também ele médico de família e personalidade ímpar do nosso país.
"Portugal tem a Medicina Geral e Familiar mais desenvolvida e bem implementada do mundo", acentuou o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, durante a cerimónia de inauguração do monumento e perante centenas de pessoas. Na mesma ocasião, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, e perante a presença de centenas de pessoas, voltou também a destacar o papel do advogado e escritor António Arnaut no desenvolvimento de um sistema de saúde em Portugal. Nesta ocasião, Carlos Cortes assumiu: "Hoje é um dia carregado de muito simbolismo. Não estamos só a comemorar uma especialidade médica mas estamos a comemorar aquilo que é uma medicina humana, uma medicina de proximidade, uma medicina no verdadeiro sentido hipocrático do termo, uma medicina virada para o indivíduo e não apenas virada para a doença. É isso que hoje representa o médico de família. Também simboliza a capaciadade de resistência do médico de família que tem hoje muita dificuldade de dar a resposta correcta. Hoje o dia-a-dia do médico de família é de luta porque muitas vezes não tem à sua disposição material e medicamentos. Por isso, este dia também simboliza esta capacidade de luta dos médicos de família e, por isso, é o dia de esperança".
Foi precisamente durante a inauguração do monumento que o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, confirmou a integração do nome de "um amigo do povo que cuidou de muita gente" na toponímia da cidade: Fernando Valle. "O que estamos a sublinhar no coração da cidade de Coimbra é o respeito que nos merecem e o trabalho importantíssimo que fazem os que cuidam da vida das pessoas. Pela humanização da medicina. A base é construída pelos médicos de família, pelos antigos ‘João Semana' mas não só. Hoje o que quero expressar-vos é que continuamos a ter vantagem – todos os cidadãos de Coimbra, da região e do País – pelo facto de nesta nossa cidade haver pessoas que se dedicam à vida e à saúde do próximo".
‘P´la Esperança' é o nome do monumento inaugurado no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Médico de Família e, também, das comemorações dos 25 anos do ensino da Medicina Geral e Familiar na Universidade de Coimbra. Nesta cerimónia, também o sub-diretor da faculdade de Medicina, Francisco Corte-Real destacou a importância desta obra escultórica, "relevante para todos os médicos", destacando ainda o facto deste monumento simbolizar a relação que os médicos de família têm com a comunidade. Também Hernâni Caniço, coordenador da Unidade de Medicina Geral e Familiar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, destacou o papel do médico na comunidade, destacando o facto da medicina, para além da base científica, também se basear nas necessidades das populações. Nesta cerimónia, também usou da palavra Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, cujas palavras marcaram o início do Sarau Comemorativo no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), sessão conduzida por Inês Mesquita, membro do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos.
"Este é um dia especial para os médicos de família. Este ano, desenvolvemos o movimento da vida sem fumar. Dar o mote da importância do exercício físico e da vida sem fumo. Este dia foi comemorado com uma obra escultórica na cidade, uma homenagem que aqui agradecemos", disse Rui Nogueira. Última nota no seu discurso para dar conta que a APMGF está a preparar a candidatura para a organização do Congresso Mundial de Medicina Geral e Familiar, em Lisboa, em 2020. "Vamos defender essa candidatura em novembro, no Rio de Janeiro", anunciou.
seguida, foi a vez de subir ao palco do TAGV, o Coordenador Científico da Pós-Graduação em Medicina Geral e Familiar na Universidade da Beira Interior, Luiz Miguel Santiago, que centrou a sua intervenção do papel das universidades na formação dos médicos e na necessidade fixação de médicos no interior do País. "A Medicina Geral e Familiar, entendida como uma prática muito especial de aplicação de muitos conhecimentos médicos em pessoas concretas, em contextos agressivos em contextos vários como o tempo de consulta, indicadores financeiros cada vez mais apertados e a falta de recursos que a medicina hospitalar usa até à exaustão, está cada vez mais arreigada e tem já um sólido corpo académico. Formamos jovens médicos para um exercício que esperamos e desejamos respeitador e respeitado respeitavelmente por todos. (…) Esperamos, sinceramente, que se criem todas as condições necessárias à fixação de médicos no interior do País".
Logo de seguida, Hernâni Caniço, corrdenador da cadeira de Medicina Geral e Familiar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, centrou a sua intervenção no que é ser médico de família, da articulação da Unidade Curiicular de MGF da FMUC com a sociedade civil e o contributo desta para a formação de mais de 10 mil médicos durante 25 anos. Hernâni Caniço destacou também a inauguração do Monumento ao Médico de Família "oferecido à cidade". "Somos médicos de família dedicados à ciência, às causas e aos valores. Somos docentes universitários, que transportam o seu conhecimento e experiência profisisonal para ensinar a ciência mas também a proximidade com a pessoa". Em seu entender, "ser médico de família é ser humano, é ser médico e profissional que previne, cura e reabilita o que é possível. É ser médica da família". Em conclusão, assume: "O Dia Mundial do Médico de Família não é apenas mais um dia para nos congratularmos. É outro dia e outro dia que já cuidámos, já partilhámos".
Ainda antes da intervenção do presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, foi possível visionar um vídeo produzido especialmente para este sarau, com produção da CentroTV. "O meu médico de família" apresentou testemunhos de utentes, que vivem no interior do País e também outros que habitam em ambiente urbano, e para quem – todos – como denominador comum, o médico de família é alguém muito especial. "Estou bem acompanhada", "tenho uma boa relação", "não razões de queixa", "uma boa experiência, para além de ser médico também é um amigo da família", foram declarações marcantes neste vídeo.
E foi, precisamente com uma imagem deste documentário – uma jovem utente com um bonito sorriso – que Carlos Cortes, presidente da SRCOM, iniciou a sua intervenção. "Esta é a melhor satisfação para um médico: o sorriso do utente. Qualquer médico, o objetivo da vida dele, é tratar bem o doente e vê-lo satisfeito, seja médico de família seja médico hospitalar. Basta-nos o sorriso genuíno". Fazendo uma retrospetiva desde o início do seu cargo na SRCOM, Carlos Cortes destacou a "resistência dos médicos". Sublinhou: "Ainda hoje de manhã, estive no Centro de Saúde da Marinha Grande, que tem muitos problemas, mas, no dia-a-dia, e apesar das dificuldades, os médicos mostram uma força imensa". Ao colocar o acento tónico neste caso – falta de recursos humanos, edifício degradado e com falta de condições para os utentes e para os profissionais – os médicos tudo fazem "para dar a volta aos problemas", ressalvando, aliás, que "a história dos médicos de família em Portugal" é, precisamente, "dar a volta aos problemas". Citou relatos de casos em que são os próprios utentes que ajudam os médicos na preservação das instalações, e casos de médicos que oferecem material e consumíveis que fazem falta. "Esta nota de coragem, esta entrega à profissão é a esperança para termos uma Saúde melhor, um País melhor. O que os meus colegas fazem – que muito me honram poder representar na Ordem dos Médicos – é lutar para que tudo corra bem".
Para finalizar este dia de homenagem aos profissionais de saúde e aos médicos de família em particular, Os Quatro e Meia e a Brigada Victor Jara encheram o palco do TAGV com alegria e excelente música. Duas gerações de músicos de Coimbra que encantaram e receberam aplausos retumbantes.

 

 

 

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Ordem dos Médicos