Reencontros, abraços e memórias partilhadas marcaram um momento de celebração, alegria e homenagem. O tributo aos médicos que assinalam 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos reuniu no Convento São Francisco duas gerações de profissionais unidos por uma mesma vocação: cuidar.
A cerimónia visou ainda reconhecer aqueles que ajudaram a construir e consolidar o Serviço Nacional de Saúde e o atual sistema vigente, deixando uma marca indelével na vida de milhões de pessoas. E, simultaneamente, para valorizar os médicos que, todos os dias, assumem a responsabilidade de dar continuidade a esse legado, projetando o futuro da saúde com dedicação, competência, responsabilidade e coragem. Muitas foram as mensagens, os momentos e as imagens que ficarão gravados na memória de todos os presentes.
Na sessão de abertura, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, colocou o acento tónico na importância deste evento, visando “enaltecer e reconhecer o esforço, a dedicação e o profissionalismo dos médicos ao longo das suas carreiras”. Manuel Teixeira Veríssimo afirmou: “Esta cerimónia não é apenas um ato protocolar. É, acima de tudo, um momento de reconhecimento, de gratidão e de celebração; Reconhecimento por uma vida dedicada ao serviço dos doentes; Gratidão pelo contributo prestado à Medicina e à sociedade portuguesa; Celebração pelos valores que dão sentido à nossa profissão”.
E sublinhou ainda: “A Medicina é uma das mais nobres atividades humanas. Escolhe-se ainda jovem, mas exerce-se durante toda a vida. Não é apenas uma profissão; é uma vocação.”, assente em valores intemporais como a dignidade humana, a responsabilidade ética, a compaixão e a procura permanente da excelência.
E agradeceu às duas gerações de colegas. Aos inscritos há 50 anos, lembrou o seu papel inestimável na construção do SNS: “Foram médicos em hospitais, centros de saúde, serviços de urgência, forças armadas, instituições sociais e tantos outros contextos onde a presença do médico faz a diferença. Muitos foram também professores, investigadores, dirigentes, mentores e exemplos para gerações mais jovens. O seu legado não se mede apenas pelos doentes tratados, pelas vidas salvas ou pelos cargos desempenhados. Mede-se também pelos valores que transmitiram, pelo exemplo que deixaram e pela confiança que ajudaram a construir entre a Medicina e a Sociedade”.
À geração que se inscreveu em 2001, enalteceu: “Os seus 25 anos de profissão representam já uma história rica de dedicação, aprendizagem contínua e compromisso com os doentes. Representam também a maturidade profissional de uma geração que hoje assume responsabilidades clínicas, científicas, académicas e de liderança fundamentais para o futuro da Medicina portuguesa”. Num tempo marcado pela inovação tecnológica e pela Inteligência Artificial (IA), deixou uma mensagem clara, afirmando que a essência da Medicina permanece inalterável: “Nenhum algoritmo consegue substituir a empatia. Nenhuma máquina consegue substituir o conforto de uma palavra de esperança. Nenhum sistema informático consegue substituir a confiança construída entre médico e doente.”
Também o Bastonário da Ordem dos Médicos não tem dúvidas de que a IA não deve substituir a relação médico-doente, devendo esta, sim, estar “ao serviço das pessoas, da segurança, da equidade no acesso e da relação médica”. Acentuou: “([A IA] Deve libertar tempo clínico, reduzir burocracia e apoiar decisões complexas. Deve reforçar o médico, não substituí-lo”. Carlos Cortes enfatizou ainda o papel crucial dos médicos na construção do Serviço Nacional de Saúde, sublinhando, a título de exemplo, os desafios enfrentados, a pressão e a exaustão especialmente durante a pandemia de CoVID-19. Sem esquecer a matriz da esperança na sua intervenção, o bastonário deixou palavras de “profundo reconhecimento” a todos os colegas: “Cada medalha, cada carreira celebrada recorda-nos que a Medicina portuguesa foi construída por pessoas concretas, cada um de vós, com conhecimento, coragem, sentido de serviço e ligação aos doentes”. Aos colegas inscritos há 50 anos, elogiou a bravura pela “mudança civilizacional” de prestar cuidados de saúde “sem olhar a condição económica ou lugar onde se nasce”: “O país deve-vos muito. A Ordem dos Médicos deve-vos muito. Os doentes devem-vos tudo”, acentuou.
Aos colegas inscritos há 25 anos, enalteceu a audácia e a força: “Ao longo destes 25 anos enfrentaram reorganizações sucessivas, pressão assistencial crescente, listas de espera, falta de recursos, burocracia excessiva, exigências tecnológicas, crises sanitárias e desgaste profissional. E, ainda assim, continuaram. Continuaram a cuidar, ensinar, investigar, liderar serviços, formar médicos internos, defender os doentes e manter viva a qualidade da medicina portuguesa”. E, na sua intervenção, deixou também uma palavra para os jovens médicos: “O futuro da saúde depende da sua formação, da sua especialização, motivação e permanência no SNS. Um país que forma médicos e depois não os consegue fixar falha com esses médicos e com os doentes”.
Em nome dos médicos inscritos em 1976, Daniel Pereira da Silva refletiu sobre o privilégio de ter iniciado a carreira em um período de “liberdade conquistada, esperança coletiva e entusiasmo quase ingénuo”, destacando as conquistas na Saúde em Portugal, como o aumento da esperança de vida e a democratização dos cuidados médicos. Mencionou ainda a transição da medicina para uma abordagem baseada em evidências e a revolução tecnológica trazida pela Inteligência Artificial, que levanta questões sobre o futuro do papel do médico. O seu discurso enfatizou a importância da empatia e da relação humana no cuidado ao paciente, ressaltando que a medicina vai além da ciência, englobando valores éticos e humanos. O orador conclui expressando gratidão pelas experiências compartilhadas e a esperança de continuar construindo um futuro melhor para as próximas gerações.
Por seu turno, Sérgio Sousa, em nome dos colegas que celebram 25 anos de inscrição, expressa gratidão e reconheceu a importância dos médicos que completam 50 anos de carreira, destacando seu papel na transformação dos cuidados de saúde em Portugal após o 25 de Abril de 1974. Refletiu ainda sobre a jornada profissional dos últimos 25 anos, enfatizando a diversidade de caminhos que os médicos seguiram, incluindo a medicina privada, a academia e a emigração. Ao refletir sobre a evolução da Medicina, no seu discurso, destacou ainda o impacto crescente da genética e da inteligência artificial na prática clínica e na investigação terminando com uma mensagem de confiança e responsabilidade dirigida às novas gerações chamadas a liderar a resposta aos desafios, conciliando a inovação tecnológica com os princípios éticos e humanistas que estão na essência da profissão.
Nesta cerimónia foi também interveniente o vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Miguel Antunes, em representação da presidente, Ana Abrunhosa. O edil destacou a importância da Medicina e “o papel absolutamente determinante dos médicos na promoção da saúde, dignidade humana e da qualidade de vida das populações”. A sua intervenção termina com um agradecimento aos homenageados pelo impacto positivo nas vidas das pessoas e pela construção de um futuro melhor, ressaltando que as cidades se elevam através do conhecimento e compromisso dos seus profissionais.
Estiveram também presentes os líderes das associações de estudantes quer a nível nacional, quer dos representantes estudantis nas escolas médicas de Coimbra e Covilhã. O Coro da SRCOM interpretou vários temas do seu repertório, incluindo o Hino do SNS estreado em 15 de setembro de 2024. A atuação decorreu sob a direção da maestrina Marta Falcão, em representação do maestro do coro Paulo Bernardino. Diana Carvalho foi a pianista acompanhadora. Toda a cerimónia contou com a apresentação e condução das médicas especialistas em Medicina Geral e Familiar, Liliana Constantino e Teresa Pascoal.
Parabéns a todos os homenageados!
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