Cerimónia decorreu na Sala D. Afonso Henriques, no Convento São Francisco
O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Manuel Teixeira Veríssimo, destacou o papel determinante dos médicos na construção do sistema de saúde português e sublinhou a importância dos valores humanistas da profissão durante a cerimónia de homenagem aos médicos que completaram 25 e 50 anos de inscrição na Ordem dos Médicos.
Perante os homenageados, familiares e convidados, Manuel Teixeira Veríssimo afirmou que a cerimónia representa “um momento de reconhecimento, de gratidão e de celebração”: reconhecimento por uma vida dedicada ao serviço dos doentes, gratidão pelo contributo prestado à Medicina e à sociedade portuguesa e celebração pelos valores que dão sentido à profissão médica.
“A Medicina é uma das mais nobres atividades humanas. Escolhe-se ainda jovem, mas exerce-se durante toda a vida. Não é apenas uma profissão; é uma vocação», afirmou o presidente da SRCOM, salientando que esta vocação exige «conhecimento, competência, responsabilidade, disponibilidade, sacrifício e, sobretudo, humanidade”.
Referindo-se aos médicos distinguidos pelos 50 anos de inscrição, Manuel Teixeira Veríssimo recordou que se trata de uma geração que viveu profundas transformações da Medicina e que acompanhou avanços científicos e tecnológicos sem precedentes. “Muitos iniciaram a sua atividade numa época em que não existiam TACs, ressonâncias magnéticas, PETs, cirurgia minimamente invasiva ou muitas das terapêuticas que hoje consideramos indispensáveis”, recordou, acrescentando que estes profissionais assistiram “à evolução extraordinária da ciência médica, ao aumento da esperança de vida, ao controlo de inúmeras doenças e ao progresso tecnológico que revolucionou a prática clínica”.
Apesar destas mudanças, o presidente da SRCOM sublinhou que a essência da Medicina permanece inalterada. “A relação entre o médico e o doente continua a ser o centro da nossa profissão. A essência da Medicina reside no encontro entre duas pessoas: uma que sofre e outra que procura ajudar”, afirmou.
Manuel Teixeira Veríssimo salientou ainda que os médicos homenageados pelos 50 anos de carreira representam uma geração que ajudou a construir o Serviço Nacional de Saúde e o sistema de saúde português, exercendo funções em hospitais, centros de saúde, serviços de urgência, forças armadas e instituições sociais, muitos deles desempenhando igualmente papéis relevantes como professores, investigadores, dirigentes e mentores. “O seu legado não se mede apenas pelos doentes tratados, pelas vidas salvas ou pelos cargos desempenhados. Mede-se também pelos valores que transmitiram, pelo exemplo que deixaram e pela confiança que ajudaram a construir entre a Medicina e a Sociedade”, afirmou.
Relativamente aos médicos que completam 25 anos de inscrição na Ordem, o presidente da SRCOM destacou que iniciaram a sua atividade num contexto de crescente especialização e inovação tecnológica, tendo enfrentado profundas mudanças organizacionais e desafios inéditos. Entre esses desafios, salientou a pandemia de COVID-19, recordando que muitos dos homenageados estiveram na linha da frente em circunstâncias particularmente exigentes, assegurando cuidados de saúde em momentos de grande incerteza. “Os seus 25 anos de profissão representam já uma história rica de dedicação, aprendizagem contínua e compromisso com os doentes”, afirmou, acrescentando que esta geração assume hoje responsabilidades clínicas, científicas, académicas e de liderança essenciais para o futuro da Medicina portuguesa.
Ao abordar os desafios atuais, Manuel Teixeira Veríssimo referiu que a inteligência artificial, a medicina personalizada, a genética, a robótica e a análise massiva de dados estão a abrir novos horizontes, mas alertou para a necessidade de preservar a dimensão humana da profissão. “Nenhum algoritmo consegue substituir a empatia. Nenhuma máquina consegue substituir o conforto de uma palavra de esperança. Nenhum sistema informático consegue substituir a confiança construída entre médico e doente”, afirmou.
Na parte final da sua intervenção, o presidente da SRCOM sublinhou que a medalha entregue aos homenageados simboliza uma vida de serviço ao próximo e o reconhecimento dos seus pares. “Representa milhares de consultas, milhares de decisões clínicas, milhares de gestos de dedicação e milhares de encontros humanos», afirmou, concluindo que “o verdadeiro legado de um médico vive nas pessoas que ajudou, nos alunos que formou, nos colegas que inspirou e nos valores que transmitiu às gerações seguintes”.
“É esse legado que hoje celebramos”, concluiu Manuel Teixeira Veríssimo.