Na cerimónia de homenagem aos médicos que celebram 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos, Sérgio Sousa, em representação da sua geração, proferiu um discurso marcado pela gratidão, pela evocação do percurso coletivo da classe médica e por um forte apelo ao compromisso com o futuro do sistema de saúde. Perante colegas que assinalaram 25 e 50 anos de inscrição na Ordem dos Médicos, o médico começou por homenagear a geração que, após o 25 de Abril, contribuiu decisivamente para a construção e consolidação do Serviço Nacional de Saúde.
“O vosso percurso de meio século é uma inspiração viva. Edificastes as fundações do acesso universal, levando a medicina de qualidade a todo o país.”
O discurso destacou igualmente o papel dos professores, orientadores de formação e mestres que marcaram sucessivas gerações de médicos, transmitindo não apenas conhecimento científico, mas também os valores do humanismo, da escuta e do respeito pelo doente. Ao dirigir-se aos colegas que completam 25 anos de carreira, o Dr. Sérgio Sousa sublinhou a diversidade de percursos profissionais desenvolvidos ao longo deste quarto de século, quer no Serviço Nacional de Saúde, quer na medicina privada, na investigação, na academia, na indústria farmacêutica, no empreendedorismo ou em missões internacionais. Uma das mensagens centrais da intervenção incidiu sobre a importância da dimensão humana da profissão, reconhecendo o papel determinante das famílias e amigos no equilíbrio pessoal e profissional dos médicos. “O vosso apoio incondicional é o oxigénio que nos permitiu chegar até aqui.”
O reencontro entre colegas permitiu recordar o percurso académico comum e a forte coesão construída desde os tempos da faculdade, reforçada pelos desafios enfrentados durante a reforma curricular da Medicina no final da década de 1990 e pela recente reunião da geração na Queima das Fitas de 2026. Sérgio Sousa dedicou uma parte significativa da sua intervenção às profundas transformações científicas e tecnológicas ocorridas desde 2001, ano em que a sua geração iniciou o percurso profissional.
Com especial destaque para a Genética Médica, recordou que a publicação da primeira versão do genoma humano coincidiu com o início da carreira desta geração de médicos, sublinhando que, 25 anos depois, a medicina genómica representa uma das maiores revoluções da prática clínica. Defendeu igualmente a necessidade de Portugal investir num plano nacional estruturado para a Medicina Genómica, permitindo potenciar o trabalho desenvolvido pelos serviços hospitalares e pelos especialistas da área.
Foram ainda referidas outras inovações que marcaram estas duas décadas e meia, como a inteligência artificial, a imunoterapia, as terapias celulares e génicas, as vacinas de mRNA, a cirurgia robótica, a saúde digital, a telemedicina e a utilização crescente de dados e tecnologias de monitorização remota.Na parte final do discurso, o médico lançou um desafio à sua geração para assumir um papel mais ativo na gestão dos serviços de saúde, na participação cívica e política e na resposta aos desafios éticos que se colocam perante a escassez de recursos. “Estamos no auge da nossa experiência prática e maturidade. A nossa geração pode e deve fazer a diferença.”
Concluindo a intervenção, deixou uma mensagem de confiança na capacidade dos médicos portugueses para liderar a mudança e reforçou a importância da união entre colegas, do apoio da Ordem dos Médicos e do compromisso permanente com os doentes e com a sociedade. “Contamos, sobretudo, connosco próprios, uns com os outros e com a força daquilo que nos une.”
Publicamos o discurso na íntegra: