Realizou-se em Viseu, a 10 de julho, a cerimónia de entrega das medalhas comemorativas dos 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos, um momento muito especial que homenageou médicos que, ao longo de décadas, dedicaram a sua vida ao cuidado da saúde e ao bem-estar da população, com competência, humanismo e ética profissional.
Organizada pelo Conselho Sub-regional de Viseu e cuja sessão contou com a presença do presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Manuel Teixeira Veríssimo, o evento reuniu dezenas de colegas e contou com as intervenções da anfitriã, Liane Carreira, e do Dr. Luís Carvalho, cuja carreira na administração hospitalar e na saúde pública foi igualmente destacada. Liane Carreira congratulou-se por ver uma sala cheia de colegas e realçou a importância destes momentos, dando nota de que ‘a casa de todos os médicos’ está sempre aberta para receber os colegas.

Ao intervir na sessão, o presidente da SRCOM reiterou a enorme importância desta cerimónia até porque, nela e com ela, se reconhece a importância do trabalho, o empenho, a entrega, e o sacrifício que os colegas efetua(ra)m ao longo da vida, sempre em prol dos doentes. Daí que Manuel Teixeira Veríssimo tenha acentuado a importância de assinalar estas datas. Durante o seu discurso, agradeceu o contributo dos homenageados para a construção e consolidação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando-o “uma das maiores obras do Portugal democrático” que, apesar das dificuldades que o sistema enfrenta atualmente, continua a ser reconhecido como um dos melhores sistemas de saúde do mundo, graças ao empenho de sucessivas gerações de médicos.

Dirigindo-se aos profissionais distinguidos pelos 50 anos de carreira, salientou o papel determinante que tiveram na evolução dos cuidados de saúde em Portugal. Aos médicos que completam 25 anos de profissão, reconheceu o esforço desenvolvido numa época particularmente exigente, marcada pela elevada pressão sobre os serviços de urgência e pela crescente complexidade da prestação de cuidados.
A evolução da medicina foi outro dos temas centrais da sua intervenção, tendo destacado que a prática médica é, hoje, cada vez mais tecnológica e assente em bases científicas mais sólidas, sublinhando que as novas gerações dispõem de um conhecimento técnico superior ao das anteriores. Contudo, alertou para a necessidade de preservar uma dimensão essencial da profissão: o humanismo. “O conhecimento científico é indispensável, mas a medicina não pode perder a sua componente humana”, afirmou, defendendo que a relação de proximidade com os doentes continua a ser um dos pilares fundamentais da prática clínica. Acrescentou ainda que os médicos mais experientes têm a responsabilidade de transmitir esses valores às novas gerações.

A inteligência artificial também mereceu destaque na sua reflexão sobre o futuro da medicina ao considerar que estas novas ferramentas representam uma oportunidade para melhorar os cuidados de saúde, desde que sejam utilizadas como apoio à decisão clínica e nunca como substituto da relação entre médico e doente. Ao finalizar a sua intervenção, deixou uma mensagem de agradecimento aos médicos homenageados e reiterou a disponibilidade da Ordem dos Médicos para continuar a apoiar os seus membros ao longo do percurso profissional.
Homenageados pelo contributo para o SNS
Na sua intervenção, Luís Carvalho – que na Ordem dos Médicos foi vogal do Conselho Distrital de Viseu, nos triénios de 1981/1983 e 1984/1986 – destacou o percurso dos médicos homenageados, sublinhando que tiveram um papel determinante nas profundas transformações da Saúde em Portugal nas últimas cinco décadas. Dirigindo-se aos colegas distinguidos, afirmou que tiveram o privilégio de participar ativamente na criação e implementação de um sistema de saúde público, universal e acessível a todos os cidadãos.

Ao recordar que esta geração foi protagonista de importantes conquistas – como o desenvolvimento das especialidades médicas, a afirmação dos hospitais distritais, a criação das carreiras médicas e a expansão dos cuidados de saúde por todo o País – Luís Carvalho atribuiu especial relevância ao Serviço Médico à Periferia, desenvolvido entre 1975 e 1982, considerando-o um marco decisivo “na génese da criação” do Serviço Nacional de Saúde. Segundo referiu, foram os jovens médicos da época que asseguraram a prestação de cuidados em zonas mais carenciadas, aproveitando as estruturas existentes e levando assistência médica a populações que até então tinham acesso limitado aos serviços de saúde. No caso de Viseu, salientou que a geração agora homenageada foi decisiva na modernização da resposta assistencial da região, contribuindo para o crescimento do então Hospital de São Teotónio, para o desenvolvimento da medicina familiar e para a criação de uma rede de cuidados de saúde mais próxima da população. Ao evocar esse percurso, o médico enalteceu “a coragem, competência, solidariedade e humanismo” dos profissionais distinguidos, afirmando que foram “os atores principais desta mudança” e que a sua dedicação permitiu concretizar o ideal de uma saúde pública “igual, universal e gratuita”. Souberam todos, a seu ver, “aproveitar os ventos da história e desenvolveram os cuidados médicos assistenciais, pela cidade e pela região”.
Na conclusão da intervenção, Luís Carvalho felicitou os médicos distinguidos pelos 50 anos de inscrição na Ordem, estendendo também os cumprimentos aos colegas que assinalaram 25 anos de carreira. Deixou ainda uma mensagem de confiança às novas gerações, apelando à continuidade do compromisso com a qualidade dos cuidados de saúde e com os valores que estiveram na origem do Serviço Nacional de Saúde.
Luís Carvalho, recorde-se, foi Diretor do Centro de Saúde e Autoridade de Saúde em S. Pedro do Sul, Presidente da ARS Viseu 1985/1998, Coordenador da Saúde Ocupacional do Distrito de Viseu e Presidente do Conselho de Administração do Hospital S. Teotónio em dois períodos 1988/1996 e 2002/2003. Aposentou-se em 2005 como Chefe de Serviço de Saúde Pública. Depois da Medicina a sua inclinação e paixão vai para a pintura, pelo fascínio das cores, das formas, ora precisas ora abstratas. Tal sempre constitui o complemento estético e lúdico da sua entrega à Saúde Pública. Os amigos são os destinatários dos seus quadros. E a Ordem dos Médicos, também, uma vez que o quadro de Miguel Torga que está em Coimbra no auditório que tem o nome do escritor transmontano foi pintado por si.
Após todas as intervenções institucionais, foram entregues as medalhas comemorativas aos médicos com 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos, seguindo-se um momento musical, com a médica interna de MGF Filipa Sousa no canto e Tiago Rodrigues na guitarra.

A entrega das medalhas, respetivamente atribuídas aos médicos com 50 e 25 anos de percurso profissional, simboliza não apenas o reconhecimento do tempo dedicado à Medicina, mas também o legado que cada um deixa na sua prática clínica, na formação das gerações futuras e na construção de uma sociedade saudável.

Nesta sessão, os colegas que completaram os 25 anos e 50 anos de inscrição na Ordem dos Médicos receberam as medalhas de mérito das mãos de Manuel Teixeira Veríssimo, Liane Carreira e Luís Carvalho. Luís Patrão, ex-presidente do Conselho Sub-regional de Viseu da Ordem dos Médicos e atual vogal do mesmo órgão, esteve também presente, assim como outros elementos da atual direção.


As imagens desta sessão foram partilhadas nas redes sociais da SRCOM. A todos os homenageados, fica o reconhecimento da Ordem dos Médicos. Parabéns!
