Livro do Padre Custódio Langane ‘nasce do encontro com crianças em cuidados paliativos e celebra a esperança’

Livro do Padre Custódio Langane ‘nasce do encontro com crianças em cuidados paliativos e celebra a esperança’

No dia 6 de julho de 2026, às 18h00, teve lugar a apresentação do livro “Da Fragilidade à Esperança”, da autoria do Pe. Manuel Langane Custódio, sacerdote e capelão hospitalar reconhecido pelo seu trabalho de acompanhamento espiritual e humano junto de doentes, famílias e profissionais de saúde. Mais do que uma apresentação literária, este encontro pretendeu ser um momento de reflexão e partilha em torno de histórias marcadas pela fragilidade humana, mas também pela força da esperança.

Na sessão de apresentação da obra, realizada na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, o Presidente, Manuel Teixeira Veríssimo, começou por agradecer a presença de todos os participantes, dirigindo uma saudação especial à Branca Paul (médica no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra) pelo empenho nesta sessão e a Fernanda Ferreira (assistente social no IPO Lisboa), reconhecendo o seu apoio e disponibilidade para estarem presentes neste momento. Na sua intervenção, refletiu sobre a fragilidade da condição humana, particularmente quando confrontada com doenças graves, como o cancro. “Quando estamos no hospital e temos doenças graves, como o cancro, a fragilidade existe. E não é apenas física”, disse. Nestas circunstâncias – e citando o título do livro ali apresentado – sublinhou, aliás, que, a esperança assume um papel determinante, não apenas para os doentes e as suas famílias, mas também para os próprios médicos, que enfrentam diariamente o desafio de cuidar em situações de grande complexidade. Destacou que, mesmo perante prognósticos desfavoráveis, a esperança não deve ser entendida como uma ilusão, mas antes como uma força mobilizadora que ajuda a enfrentar a adversidade e a preservar a dignidade e o sentido da vida. Salientou que manter essa esperança constitui um elemento essencial da prática médica e da relação de confiança entre médico e doente. “mesmo perante um doente com pouco tempo de vida, nunca deveremos retirar a esperança”, enfatizou Manuel Teixeira Veríssimo.

O Presidente reafirmou ainda a disponibilidade da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos para acolher iniciativas culturais e científicas desta natureza, promovendo o debate, a reflexão e a divulgação de obras que contribuam para o enriquecimento da profissão e da sociedade. “Esta é uma casa aberta a todos os médicos. É uma casa aberta a todos”, sublinhou, à guisa de conclusão.

Branca Paul, por seu turno, também na mesma sessão de apresentação da obra, a destacou a profunda dimensão humana da mensagem transmitida pelo livro do Padre Custódio Langane, sublinhando a importância da espiritualidade e da esperança como pilares fundamentais para enfrentar os momentos de maior fragilidade da vida. Na sua intervenção, referiu que a obra convida o leitor a refletir sobre a vulnerabilidade da condição humana e sobre a necessidade de cultivar uma dimensão espiritual que permita encontrar sentido, serenidade e força perante a doença, o sofrimento e a incerteza. Citando algumas passagens do livro, evidenciou a forma como as experiências mais difíceis podem constituir oportunidades de transformação pessoal, crescimento interior e redescoberta da gratidão. Branca Paul salientou ainda que a esperança não deve ser entendida apenas como expectativa de cura, mas também como uma atitude que ajuda a viver cada etapa da doença com dignidade, reforçando a importância da presença, da escuta e da relação humana no acompanhamento dos doentes e das suas famílias.

A sessão contou igualmente com o testemunho de uma assistente social do Instituto Português de Oncologia (IPO), Fernanda Ferreira, que partilhou o seu percurso profissional e o crescente interesse pelos cuidados paliativos, área onde (re)conheceu a espiritualidade como uma dimensão essencial dos cuidados integrais. Explicou que, no serviço de Pediatria, foi criada uma comunidade de apoio que integra esta dimensão espiritual no quotidiano assistencial, promovendo um ambiente de acolhimento, solidariedade e respeito pela diversidade de crenças e convicções de cada pessoa.

O livro reúne experiências inspiradas na vivência do autor em hospitais, onde os corredores, as salas de espera, os abraços demorados e os silêncios difíceis se transformam em testemunhos de coragem, fé e humanidade. Escutamos de novo Branca Paul: “Os exemplos que destes testemunhos emanam constituem histórias de verdadeiros heróis, reiais, que nos dão muito mais em coragem e generosidade que nós próprios lhes proporcionamos”.

O Pe. Manuel Langane Custódio dedica a sua missão ao acompanhamento de pessoas em situações de sofrimento, promovendo uma presença de proximidade, escuta e esperança. Como resume uma das mensagens centrais do livro: “A esperança não elimina a dor, mas ensina-nos a caminhar mesmo quando tudo parece escuro.”

Capelão do Instituto Português de Oncologia- Lisboa e mestre em Cuidados Paliativos, o Padre Manuel Custódio Langane reúne, nesta obra, histórias inspiradas nos encontros vividos com crianças e jovens da Pediatria do Instituto, bem como relatos onde a fragilidade se cruza com o amor e a esperança. Na apresentação da sua obra, agradeceu a todos os que tornaram possível a realização da sessão, dirigindo palavras de reconhecimento às entidades organizadoras, aos convidados e a todos os que aceitaram participar neste momento de reflexão e partilha. Ao longo da sua intervenção, explicou a génese do livro, sublinhando que nasceu da necessidade de parar e refletir sobre as grandes questões da existência humana, em particular sobre o sofrimento, a doença, a morte e a esperança. Referiu que a obra resulta de um percurso marcado pelo acompanhamento de crianças em cuidados paliativos e das suas famílias, experiências que, pela sua profundidade humana, transformaram a sua forma de olhar para a vida e também para a fé. “Este livro faz-me parar muitas vezes”, explicou.

O sacerdote partilhou alguns episódios vividos junto de crianças gravemente doentes, recordando as perguntas simples e, ao mesmo tempo, profundamente desafiantes que estas colocam sobre o sentido da vida e da morte. Salientou que, apesar da dor inerente a estas situações, encontrou nelas uma extraordinária capacidade de esperança, coragem e serenidade, testemunhada tanto pelas crianças como pelos seus familiares. Explicou ainda que a inspiração para escrever o livro ganhou forma durante uma peregrinação a Fátima, momento que descreveu como decisivo para organizar as experiências, reflexões e testemunhos que procurou transmitir ao longo da obra. E tudo nasceu com uma missão: falar, escutar e partilhar afeto e empatia. A missão era ‘estar’ com ‘Pinóquio’, uma criança muçulmana que acabara de saber que iria para os cuidados paliativos. Durante mais de uma hora estiveram em silêncio, a criança, a sua mãe e o sacerdote. E, no livro, percebemos a continuidade desta ligação entre todos.

Mais do que um relato de vivências, afirmou, o livro pretende ser um convite à esperança, mostrando que é possível encontrar luz e sentido mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Na sua intervenção, destacou também que a obra foi pensada como um legado para os pais e famílias que enfrentaram a perda de um filho, oferecendo-lhes palavras de conforto, fé e esperança. Referiu que um sacerdote descreveu o livro como um “Evangelho vivo”, expressão que acolheu com humildade e que interpreta como um reconhecimento da capacidade dos testemunhos ali reunidos para revelar a presença de Deus nas experiências concretas da vida. A concluir, o autor afirmou que o objetivo da obra ultrapassa a simples transmissão de conhecimentos ou experiências, procurando, antes, tocar o coração dos leitores, evangelizar através do testemunho e contribuir para a cura das feridas emocionais provocadas pelo sofrimento e pelo luto, reafirmando que a esperança permanece sempre como um caminho possível.

Em resumo, todas as intervenções convergiram na ideia de que o cuidar vai muito além da resposta clínica, valorizando a presença, a empatia, a escuta e a relação afetiva como elementos indispensáveis para humanizar os cuidados de saúde e ajudar doentes e famílias a enfrentar os desafios impostos pela doença.

O evento decorreu na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, em Coimbra.

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