A Ordem dos Médicos, através do Conselho Sub-regional de Leiria, distinguiu os profissionais que assinalam 25 e 50 anos de inscrição na instituição, numa cerimónia que celebrou o percurso de duas gerações de médicos e o seu contributo para a evolução da medicina, do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da entrega ao serviço de um Bem maior: a saúde de cada um de nós e a saúde de todos. Estes são alguns dos atributos em destaque, precisamente, na celebração do Dia do Médico, que se assinala anualmente a 18 de junho.
Nesta sessão, João Mariano Pego, membro do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos, assumiu que esta cerimónia visa “a celebração da história recente da medicina em Portugal, escrita pelas vossas mãos”, sublinhando que as medalhas simbolizam uma vida de serviço, dedicação e compromisso com os doentes. Dirigindo-se aos médicos que completam 50 anos de inscrição, João Mariano Pego enalteceu o papel de uma geração que considerou pioneira na transformação da Medicina portuguesa: “Foram a verdadeira força motriz que impulsionou o desenvolvimento da medicina e elevou os cuidados prestados à nossa população”. O dirigente da Ordem recordou, aliás, que estes profissionais iniciaram a sua atividade numa época marcada por recursos limitados e pela ausência de muitas das tecnologias hoje consideradas essenciais, acompanhando, ao longo da sua carreira, profundas transformações científicas e clínicas.
Destacou ainda o seu contributo para a construção e consolidação do Serviço Nacional de Saúde, bem como o papel desempenhado na formação de sucessivas gerações de médicos. Entre os momentos mais marcantes do discurso, João Mariano Pego evocou o Serviço Médico à Periferia, classificando-o como “um profundo ato de justiça social” que permitiu levar cuidados de saúde às populações mais isoladas do País. “O Portugal moderno e o nosso sistema de saúde assentam nos alicerces que construíram”, afirmou. A sua intervenção incluiu também uma homenagem aos médicos já falecidos que partilharam este percurso, reconhecendo o legado que deixaram na vida dos doentes e na profissão.
Aos médicos que celebram 25 anos de inscrição, João Mariano Pego destacou a capacidade de adaptação a uma medicina profundamente marcada pela inovação tecnológica, pela digitalização e pela crescente especialização. Recordou igualmente o papel desempenhado durante a pandemia de COVID-19, período em que muitos estiveram “na linha da frente, na gestão de crises inéditas”, assegurando a resposta dos serviços de saúde num contexto de enorme exigência. Na sua opinião, esta geração representa, hoje, “o motor vivo da medicina do presente e a garantia do nosso futuro”, assumindo responsabilidades na liderança clínica, na investigação e na formação dos mais jovens.
Apesar dos avanços tecnológicos, João Mariano Pego defendeu que a essência da profissão permanece inalterada. “Nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, substitui a empatia, o toque, o olhar de conforto e a capacidade de ouvir”, afirmou, acrescentando que a relação médico-doente continua a ser “o verdadeiro coração da nossa profissão”. Sublinhou: “São os navegadores de uma medicina de vanguarda”, acentuou.
Na reta final da sua intervenção, deixou um apelo à necessidade de reforçar as políticas de promoção da saúde e prevenção da doença, defendendo uma mudança de paradigma na organização dos cuidados. “Precisamos de inverter a equação: o nosso foco principal não deve ser apenas tratar a doença quando ela surge, mas apostar cada vez mais na promoção da saúde e na prevenção da doença. Educar, prevenir e proteger”, afirmou.
João Mariano Pego reafirmou ainda o compromisso da Ordem dos Médicos na defesa da profissão, da qualidade da medicina e da independência clínica dos médicos, garantindo que a instituição continuará “ao lado dos médicos” perante os desafios do presente e do futuro. A encerrar a cerimónia, dirigiu uma mensagem de agradecimento aos homenageados, sublinhando que o verdadeiro legado de um médico “vive nas pessoas que ajudou a curar, nos alunos que formou, nos colegas que inspirou e nos valores que soube transmitir”.
“A medalha que hoje vão receber não premeia um ato isolado. Ela simboliza uma vida de serviço. (…) Representa, acima de tudo, a gratidão de um país que sabe que é melhor e mais justo, graças ao vosso trabalho”, enalteceu.
Partilhamos o discurso, na íntegra: