Sessão de boas-vindas aos novos Médicos Internos em Viseu

Sessão de boas-vindas aos novos Médicos Internos em Viseu

A Sub-Região de Leiria da Ordem dos Médicos promoveu, no dia 13 de março, uma sessão de boas-vindas aos novos Médicos Internos que, em 2026, iniciaram uma etapa determinante do seu percurso profissional.
O início do Internato Médico assinala um momento crucial de crescimento pessoal, científico e ético, marcado por novos desafios, aprendizagens exigentes e pela progressiva consolidação da identidade médica. A anfitriã, Liane Carreira, ao dar as boas-vindas aos jovens presentes, sublinhou a importância de os jovens médicos conhecerem a “sua sede”, isto é, “a casa de todos”, onde podem ir tratar e resolver diversos assuntos. “A Ordem dos Médicos está sempre disponível para vós”, sublinhou.

Ao citar todos os intervenientes nesta sessão, a presidente do Conselho Subregional de Viseu da Ordem dos Médicos apresentou o presidente da SRCOM bem como o secretário daquele órgão viseense, um jovem psiquiatra, a quem coube fazer uma breve apresentação sobre os desafios do Internato Médico. Liane Carreira reconheceu a importância do internato e os médicos que optam por exercer nas regiões do interior, contribuindo para o reforço da qualidade dos cuidados de saúde e para a melhoria da qualidade de vida das populações.

Estes médicos internos de formação geral e da formação especializada são oriundos de várias zonas do País: Aveiro, Braga, Belmonte, Carregal do Sal, Chaves, Cinfães, Felgueiras, Funchal, Lamego, Lisboa, Mangualde, Nisa, Portimão, Sendim, S. Pedro do Sul, Valongo, Vila Nova de Foz Coa, Vila Nova de Gaia, Tábua, Porto.

Na sua intervenção, o Presidente da Secção Regional do Centro a destacar a importância de reforçar o compromisso com os valores essenciais da medicina, destacou igualmente a importância da formação contínua ao longo da carreira médica, sublinhando que a medicina deve ser entendida como uma conjugação indissociável entre Ciência e Humanismo. “Ser médico é muito mais do que ter uma profissão”, disse, acrescentando que “ser médico é um compromisso com as pessoas”. E recorreu a uma frase que diz amiúde: “Quem não gosta de pessoas terá alguma dificuldade em ser médico, porque ser médico é gostar de pessoas. É importante termos o objetivo de sermos bons médicos e tratarmos bem as pessoas”.

Enfatizou, por seu turno, que, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, como a inteligência artificial, os médicos não se devem esquecer da relação humana com os doentes. “A medicina mudou muito e vai mudar muito mais, pois a evolução tecnológica – a IA – vai modificar a nossa maneira de fazer medicina”, sublinhou, encorajando os futuros médicos especialistas a tornarem-se profissionais competentes e empáticos, valorizando tanto a ciência quanto a ‘arte da medicina’. “Há uma parte que nunca deveremos perder e que a tecnologia nos tem afastado cada vez mais, que é a relação com o doente”, alertou. “O humanismo é fundamental, falar com o doente, entendê-lo, percebê-lo, olhar para o doente, isso é ser médico”.

Mencionando também o apoio da Ordem dos Médicos ao longo da trajetória de cada um, reforçou a disponibilidade da instituição em ajudar os jovens, incentivando-os também à participação ativa na Ordem. Destacando as diversas e múltiplas valências da Ordem dos Médicos, Manuel Teixeira Veríssimo deu conta do “enorme trabalho que milhares de colegas” levam a cabo, por exemplo, nas visitas de idoneidade formativa, trabalho esse, fundamental para verificar se os serviços têm condições técnicas, humanas e pedagógicas para formar internos de especialidade, garantindo assim a excelência da formação. Desafiou, pois, estes jovens a que se interessem também pela área associativa, instando-os a participar nas listas a sufrágio, quer para os colégios quer para os órgãos diretivos. Ao terminar a sua intervenção, desejou muitas felicidades a todos.

Por fim, o médico psiquiatra da ULS Dão-Lafões, João Brás, abordou o tema “Desafios no Internato Médico”, deixando várias recomendações dirigidas aos jovens médicos que agora iniciam esta etapa formativa. O também secretário da Ordem dos Médicos de Viseu, especialista há apenas dois anos, sublinhou que o internato “tem de ser verdadeiramente vosso”, defendendo que cada interno deve procurar personalizar ao máximo o seu percurso formativo.

Na sua intervenção, destacou ainda a importância de conjugar a experiência dos médicos mais velhos com o conhecimento mais recente, incentivando os novos internos a procurarem aprender com colegas mais experientes e especialistas. Recorreu mesmo a uma analogia com o desporto para ilustrar a exigência da formação médica: “Somos uns atletas, temos de treinar para uma boa performance”, afirmou.

Nesse sentido, defendeu que o estudo deve ter uma forte componente prática e que é essencial manter o diálogo com internos mais antigos e especialistas. Ao mesmo tempo, aconselhou os jovens médicos a manterem uma mente aberta e espírito crítico, lembrando que irão encontrar doentes particularmente desafiantes ao longo do percurso.

João Brás salientou também a importância de reservar tempo para a investigação e de procurar construir um internato ajustado aos interesses e objetivos de cada médico, sem que isso signifique trabalhar apenas para a “curriculite”. A terminar, João Brás deixou um alerta para a necessidade de ajustar todas as tarefas profissionais com base num equilíbrio pessoal: tal como no desporto, “o atleta também é uma pessoa”, pelo que é fundamental preservar tempo para a vida pessoal e cultivar uma rede de apoio sólida.

A Ordem dos Médicos agradece a amabilidade a todos os que tiveram presentes nesta cerimónia de acolhimento. A todos, votos de boa sorte!

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