O Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra (NEM/AAC) celebrou o seu 28.º aniversário com dois momentos marcantes: um debate entre antigos Presidentes, centrado na “Evolução do papel do NEM/AAC na comunidade estudantil”, e uma cerimónia que contou com intervenções institucionais e apresentações culturais. Foi também lançada a iniciativa da Cápsula do Tempo, que será aberta dentro de 10 anos.
O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Manuel Teixeira Veríssimo, foi um dos intervenientes nesta sessão e elogiou o debate promovido pelos estudantes, sublinhando a relevância do associativismo no contexto académico e profissional. “Gostei muito do vosso debate. É muito importante o associativismo”, afirmou, reconhecendo o esforço e a qualidade da iniciativa.
Durante a sua intervenção, abordou também a questão da baixa participação estudantil que os próprios universitários comentaram no debate e que é frequentemente apontada como um enorme desafio. No entanto, Manuel Teixeira Veríssimo relativizou o problema: “Vocês queixaram-se da pouca participação. Mas isso não é um problema vosso nem da vossa faculdade. É um problema que está na sociedade.” Ainda assim, deixou um apelo claro à persistência: “Isso nunca nos deve fazer desistir de continuar a transmitir a importância destas instituições que representamos.”
O presidente destacou também o papel do associativismo na formação de futuros líderes, incentivando os estudantes a envolverem-se ativamente: “É importante a vossa participação no associativismo, vocês vão ser líderes do futuro.”
Dirigindo-se particularmente aos estudantes de medicina, reforçou que o espírito associativo deve acompanhar todo o percurso profissional. “Como médico, na formação específica, como médicos especialistas, nos vários tipos de associações — sindicais, científicas — continua a ser importante o associativismo na medicina”, afirmou. A concluir esta linha de pensamento, alertou para as consequências da falta de envolvimento coletivo: “Muitas vezes é a falta de associativismo que nos divide.”
O presidente da SRCOM não deixou, porém, de frisar a verdadeira missão do médico: “Tratar bem os nossos doentes é a nossa grande missão”, sublinhou. Nesta perspetiva destacou também a singular importância da Ordem dos Médicos na prossecução da qualidade de cuidados de saúde aos doentes. Defender os médicos é defender os doentes, afirmou.
No debate antes da sua intervenção, os jovens estudantes destacaram a importância dos sonhos, e Manuel Teixeira Veríssimo enfatizou a importância dessa mensagem onírica com otimismo. E cita a sua frase quando aborda as questões do envelhecimento ativo e saudável: “Devemos sempre deitar-nos com um sonho e levantarmo-nos com um propósito”.
Foram ainda oradores: o diretor da FMUC, Carlos Robalo Cordeiro; a diretora Clínica para os Cuidados de Saúde Hospitalares da ULS Coimbra, Natália António; a presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, Maria Fontão; o vice-presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra, Nuno Silva; e a presidente da XXVIII Direção do NEM/AAC, Raquel Peguinho, anfitriã desta sessão.
No debate sobre a evolução do papel do NEM/AAC na comunidade FMUC, para além da atual dirigente, foram intervenientes alguns ex-presidentes: António Costa, Cármen Oliveira e Maria Loio.
O Diretor da FMUC, Carlos Robalo Cordeiro, destacou a relevância deste debate entre atuais e antigos dirigentes estudantis, sublinhando particularmente a importância das competências de liderança face aos desafios contemporâneos. “A vossa formação, as vossas competências e a forma como as aplicam neste espírito associativo não têm paralelo, quer em anos recentes quer em períodos mais distantes”, afirmou, acrescentando que um dos maiores desafios da atualidade é saber distinguir entre informação de qualidade e desinformação.
Antes da intervenção das tunas de medicina (feminina e masculina) foi possível colocar objetos na ‘Cápsula do Tempo’ que será aberta daqui a 10 anos. Recorde-se que ao longo de quase três décadas, o Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra tem desempenhado um papel fundamental na representação dos alunos de Medicina, promovendo iniciativas que vão desde a formação científica e pedagógica até à vertente artística, cultural, desportiva e social.
Celebrar esta data é, pois, reconhecer o trabalho de gerações de estudantes que contribuíram para o crescimento e afirmação do núcleo. Cada direção, cada projeto e cada atividade ajudaram a construir uma identidade assente na colaboração e inovação.
Disse a atual presidente na sua intervenção institucional: “É orgulhosamente que hoje me dirijo a todos vocês enquanto Presidente do NEM/AAC, para assinalar o seu 28o aniversário. Hoje celebramos 28 anos de história. Estes 28 anos não são apenas um número: são gerações de estudantes, são ideias que nasceram e cresceram, são projetos que marcaram percursos e são vozes que se levantaram em representação dos estudantes. São, acima de tudo, 28 anos de pessoas”.
Afirmou ainda: “O NEM/AAC não é apenas uma estrutura associativa — é um espaço de construção e de responsabilidade. Um espaço onde se identificam problemas, se discutem soluções e se trabalha, de forma consistente, profissional e estruturada.
Ao longo dos anos, o seu papel tem sido claro: garantir que a voz dos estudantes é ouvida e considerada, contribuir para a qualidade da formação médica e criar oportunidades que complementem o ensino formal. Há 28 anos que fazemos tudo isto, e que vamos ainda mais além. Isso traduz-se, por um lado, numa presença ativa junto dos órgãos da Faculdade e demais parceiros, assegurando uma representação responsável e fundamentada. Mas traduz-se também num trabalho contínuo de proximidade com os nossos com os estudantes: ouvir, perceber e dar resposta às suas necessidades”.
Raquel Peguinho lembrou ainda que “o NEM/AAC tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante fora da pedagogia setorial e da educação médica, seja através da promoção de iniciativas complementares, seja através da ligação à comunidade, da promoção da literacia e da responsabilidade social, passando mesmo pelo posicionamento político em matérias de saúde”.
Num contexto académico em constante evolução, o NEM/AAC é um importante interlocutor e continua a ser chamado a adaptar-se, mantendo-se próximo dos estudantes e atento às suas necessidades. Mais do que uma comemoração, esta efeméride representa a força de uma comunidade académica, que encontra no núcleo um espaço de partilha, aprendizagem e desenvolvimento.
Que venham muitos mais anos de conquistas! O que estará na ‘Cápsula do Tempo’? Saberemos daqui a 10 anos.














