O país e o mundo, as suas paisagens naturais e humanas, moldam a obra e o fascínio de Fernando Namora pela paleta de cores e texturas que a vida oferece. Os roteiros e a obra deste escritor médico, figura marcante da literatura portuguesa do século vinte que se licenciou em Coimbra e fez parte da geração de 40 e da corrente literária do neorealismo, foi o tema da tertúlia que resultou de uma organização conjunta uma organização conjunta da UPopular/Ateneu de Coimbra e da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.
Rui Jacinto, geógrafo e profundo conhecedor da obra de Fernando Namora, conduziu uma conversa sobre este escritor médico, depois de mostrar os vários itinerários trilhados por Fernando Namora, sessão que fez parte do Programa das Comemorações Populares do 25 de Abril em Coimbra. As vivências de Condeixa, Coimbra, Monsanto, Alentejo Lisboa e vários outros locais fora de Portugal foram o ponto de partida para uma leitura sobre as diversas pátrias de Fernando Namora.
O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, anfitrião da sessão, agradeceu ao Ateneu a possibilidade de fazer esta tertúlia, que poderá ser considerada, em sentido lato, mais uma homenagem a este ilustre médico. “Nunca serão demais as homenagens”, sublinhou.
Por seu turno, Raquel Vilaça, da Direção do Ateneu, lembrou a feliz coincidência desta iniciativa se ter realizado precisamente no dia em que o médico e escritor faria 107 anos. A docente da Faculdade de Letras destacou ainda o percurso cívico e político de Fernando Namora que “denunciou injustiças”.
O conferencista, que nos remeteu para a vasta obra de Fernando Namora, mostrou como o legado do escritor ainda se mantêm atuais, dando assim uma dimensão intemporal à sua obra que é profundamente marcada pelo contexto sociopolítico em que foi construída.
“A obra de Namora é uma feliz conjugação de opostos, uma salutar tensão entre contrários, seja entre nós e o outro, a noite e a madrugada, o rural e o urbano.”, disse Rui Jacinto. O geógrafo mostrou as diversas geografias artísticas de Namora: a escrita, a caricatura, a pintura que sempre acompanharam o percurso do médico.
Cada lugar, cada cenário seria, no fundo, ‘um molde’ e uma inspiração para este autor cuja obra literária foi, recorde-se, traduzida para mais de 20 países.


























