Livro “Como a anestesia mudou o mundo”, de José Martins Nunes, apresentado em Coimbra

Livro “Como a anestesia mudou o mundo”, de José Martins Nunes, apresentado em Coimbra

Com o prefácio da atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, o mais recente livro do médico anestesiologista e antigo Secretário de Estado da Saúde José Martins Nunes foi apresentado a 4 de fevereiro, na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra.

“Como a anestesia mudou o mundo” é uma obra aborda a evolução da Medicina, destacando a importância da anestesia e do alívio da dor como gestos de compaixão e responsabilidade ética.

O livro refere-se, ainda, à transformação da dor a partir de um conceito espiritual para um desafio científico, enfatizando a necessidade de uma abordagem humanizada na prática médica. Além disso, menciona a relevância da tecnologia e a interação entre a Ciência e fé, assim como a dignidade humana no contexto do sofrimento. O autor expressa a intenção de oferecer uma visão mais humana da Medicina, valorizando o cuidado e a sensibilidade no tratamento.

“Pensar a anestesia é pensar no instante, quando aliviar a dor de um outro ser humano se torna um gesto de responsabilidade moral, um ato atenção compassiva, um ato de afirmação da Humanidade”, disse o médico e gestor aquando da sua intervenção nesta apresentação, assumindo, ali, perante o auditório lotado, que o livro “começou a ser escrito num exercício simultaneamente histórico e filosófico, científico e espiritual”. Sublinhou ainda: “A anestesia não surgiu por acaso, foi a resposta a inquietações profundas”.

A propósito do lançamento do livro escreveu o autor no seu perfil de Linkedin e citamos: “Esta obra nasce de uma convicção simples, mas profundamente transformadora: A anestesia não foi apenas uma inovação médica — foi uma mudança civilizacional. Ao permitir o alívio da dor e possibilitar a realização de cirurgias, a anestesia abriu uma nova era na história da humanidade. Mudou a forma como cuidamos — e como somos cuidados. Elevou a medicina a uma verdadeira arte de compaixão, técnica e consciência”. Prossegue Martins Nunes na mesma página digital: “Hoje, mais do que nunca, é essencial reconhecer o papel crucial dos anestesiologistas — profissionais que unem conhecimento científico, inovação tecnológica e uma dedicação absoluta ao bem-estar dos doentes. Este livro é uma homenagem a todos eles — e ao impacto silencioso, mas profundo, que têm na vida de milhões de pessoas.”

Na sessão de apresentação, José Martins Nunes debruçou-se sobre o seu livro, conduzindo-nos, nesta iniciativa, ao resumo conceptual da obra. No primeiro capítulo do livro, como resenha histórica, a cirurgia é-nos apresentada como sofrimento extremo e no capítulo seguinte, o livro conduz-nos ao hospital “esse espaço onde a anestesia ganha corpo, em que, o anestesiologista (…) de figura quase invisível tornou-se central na reanimação, nos cuidados intensivos, no tratamento da dor e na medicina paliativa. Essa evolução foi ética antes de ser técnica”, disse. “Num tempo de tecnologia vertiginosa, de cirurgia robótica e de inteligência artificial, a anestesia confronta-nos com uma pergunta essencial: Onde permanece a presença humana quando tudo pode ser mediado por máquinas? A anestesia do futuro exigirá tecnologia, sim, mas, sobretudo, a reflexão ética. Emergem hoje abordagens personalizadas baseadas em dados genómicos e algoritmos. Nada disto substitui o anestesiologista. Pelo contrário, amplia o seu papel como intérprete entre a máquina e o humano”.

Já no terceiro capítulo, Martins Nunes diz que o livro “abre o diálogo” entre Ciência e Fé. (…) como linguagens complementares do mesmo mistério. “O exemplo da analgesia do trabalho de parto é revelador. Durante séculos a dor foi entendida como o destino”.

Assevera o autor: “Este livro nasce de uma vida inteira dedicada à anestesiologia. Das dúvidas, dos encontros, da prática clínica, do ensino. Não escrevi para fixar memória, mas para propor uma visão mais humana da nossa profissão”.

Na Casa Municipal da Cultura foram muitas as personalidades presentes (da política, do meio académico, científico), entre os quais, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Manuel Teixeira Veríssimo.

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