30 de outubro 2020

Informação

Reunião ARSC | Médicos defendem resposta integrada para melhor responder à pandemia COVID-19

São várias as conclusões após uma semana intensa de análise à resposta gizada pela região Centro à pandemia de Covid-19 e às restantes patologias crónicas e agudas. Foi este o mote da reunião solicitada pela Ordem dos Médicos e sindicatos do setor à Administração Regional de Saúde do Centro, com caráter de urgência, e que foi prontamente agendada para esta tarde de sexta-feira, 30 de outubro.

Aos jornalistas, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos afirmou: "Há uma impreparação das medidas que já deviam ter sido adotadas e concretizadas, nomeadamente a franca descoordenação que existe entre todos os hospitais, em que parece que temos vários comboios e que cada comboio anda à sua velocidade". Da comitiva que se deslocou à sede, em Coimbra, da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), fizeram parte José Carlos Almeida, secretário Regional do Sindicato Independente dos Médicos; Carlos Cortes, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos; e Noel Carrilho, presidente do Sindicato Médicos Zona Centro / FNAM.

Carlos Cortes deu nota das reuniões que nesta fase manteve com as direções clínicas dos hospitais e com os responsáveis pelos cuidados intensivos, serviços de urgência, medicina interna, cuidados de saúde primários e direções clínicas dos Agrupamentos de Centros de Saúde, bem como com os sindicatos médicos. Uma forma de aquilatar, com detalhe, que tipo de resposta estava a ser dada na região Centro: "Há uma
franca descoordenação" entre todos os hospitais na região, assumiu Carlos Cortes. O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), voltou a chamar a atenção para a ineficiência do encaminhamento de doentes a partir da linha sns24 e a desadequação de programas informáticos para lidar com a pandemia. Na ocasião desta reunião, Carlos Cortes chamou a atenção para o atraso de nomeação dos conselhos de administração da ULS de Castelo Branco e da Guarda que se reflete em "perda de legitimidade" - há 10 meses - fazendo o apelo direto à ministra da Saúde para nomear os dirigentes nesta fase tão delicada.


Noel Carrilho, do Sindicato dos Médicos da Zona Centro, chamou a atenção para a necessidade de mudança de circuitos, mudança de estratégias e, acima de tudo, reforçar a resposta. Confirmando a preocupação da parte dos dirigentes da ARSC para esta situação excecional que estamos a atravessar, Noel Carrilho não deixou de classificar de "incompreensível" o facto de negarem que há atraso nas consultas do médico de família. "Não há maneira de disfarçar este problema", sublinhou.

Por seu turno, o secretário regional do Centro do Sindicato Independente dos Médicos do Centro, José Carlos Almeida, mostrando-se preocupado com o que se passa na região Centro: "há uma total descoordenação na assistência inter-hospitalar, uma vez que os hospitais não estão a funcionar em rede", e " assistimos à diminuição progressiva de médicos no Serviço Nacional de Saúde e isso tem reflexo na saúde das populações". Por outro lado, José Carlos Almeida alertou para a "falsa percepção" dos utentes para ao acesso às consultas do médico de família: "Os utentes queixa-se que têm as consultas adiadas e que os médicos de família estão nos centro de saúde e não estão a trabalhar. Isso não é verdade e pode levar ao aumento da violência contra os profissionais de saúde". O sindicalista lembrou o trabalho incansável dos médicos de família nos rastreios aos casos Covid-19 que depois se reflete na falta de tempo para a restante atividade assistencial.

© Fotos SRCOM/Paula Carmo