13 de maio 2020

Informação

Edifício desenhado pelo arquiteto Carlos Ramos vai ser recuperado: mais 60 camas no Rovisco Pais

 

O arquiteto que desenhou o edifício do Rádio do IPO de Lisboa em 1933 foi também o autor do edifício-hospital da Leprasaria Nacional Rovisco Pais (1947-1949), na Tocha. Carlos Ramos, professor de Arquitetura na Escola de Belas-Artes do Porto e também na de Lisboa, deixou um traço marcante onde predomina o funcionalismo dos espaços em perfeita harmonia com a quinta envolvente.

É precisamente, esse, o local onde ficará a futura Unidade do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro, com um total de 60 camas. O investimento, orçado em mais de quatro milhões e meio de euros (com investimento de fundos comunitários), permitirá reutilizar e ocupar os espaços outrora usados pelo cirurgião Bissaya Barreto e sua equipa. A escassos dias do início da empreitada, ainda são visíveis os equipamentos de antanho, das especialidades de anatomia e patologia clínica, entre outros. O outrora pavilhão Hansen irá tratar os utentes que necessitam de reabilitação neurológica e neurotraumatológica. As obras, com duração aproximada de um ano, irão permitir apetrechar o Rovisco Pais de um Laboratório de marcha.
O laboratório do Hansen, tal como se constatou durante esta visita da Ordem dos Médicos, ainda tinha no seu interior materiais orgânicos conservados e equipamentos clínicos de inúmeras especialidades.

A Ordem dos Médicos do Centro - representada pelo seu presidente Carlos Cortes e pela coordenadora do gabinete de comunicação, Filipa Coutinho - visitou esta unidade do Serviço Nacional de Saúde, a fim de aquilatar as medidas implementadas face à pandemia Covid-19. Até final de junho está a decorrer a retoma progressiva do funcionamento do Rovisco Pais, esperando a efetuar a retoma até ao aos 100 por cento até ao final de junho, de acordo com informações prestadas pela presidente do Conselho Diretivo, Margarida Sizenando Cunha. Durante o período de confinamento, foi encerrada a atividade das consultas externas e de tratamento em ambulatório. Neste contexto, e graças ao plano gizado, os pacientes internos e externos não se cruzam. Utilizam circuitos separados, gabinetes distintos, sendo os espaços higienizados e utlizados os adequados equipamentos de proteção individual para pacientes e profissionais de saúde.

Carlos Cortes, no final da visita, destacou o êxito da resposta do Rovisco Pais face à pandemia, quer pelo plano de contingência, pela separação dos circuitos e pela organização das áreas Covid e não Covid. Ao invés, acrescentou Carlos Cortes, "olhando para o SNS como um todo, a supervisão e a coordenação do Ministério da Saúde foram desastrosas".

©Texto e fotos - Paula Carmo