Hospital de Leiria enfrenta calamidade sem precedentes


A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos denuncia a calamidade que está a assolar o serviço de urgência Hospital de Santo André, em Leiria, de tal forma à beira da rutura que, sem outra alternativa, os doentes são colocados na sala de espera sem as mínimas condições. E muitos outros nem em 12 horas são atendidos. Os casos são de tal forma graves que estão a chegar à Ordem dos Médicos várias dezenas declarações de responsabilidades em que os médicos denunciam, com detalhe, as situações de extrema gravidade. Na especialidade de Medicina Interna, por exemplo, a Ordem dos Médicos já recebeu mais de 50 declarações.

"Exigimos medidas concretas ao Ministério da Saúde para sanar esta calamidade. São necessários mais recursos humanos, mais condições para a Urgência", apela o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

O apelo é justificado pela urgente e necessária resposta que o Serviço de Urgência deve prestar aos doentes que ali acorrem em sofrimento.

Nas situações reportadas, ao longo deste mês de janeiro, há casos em que três especialistas e dois médicos internos de Medicina Interna recebem, na passagem do turno da urgência, mais de 80 doentes, muitos dos quais sem avaliação médica durante mais de 12 horas, tal a avalanche de doentes e os desajustados recursos humanos. Mais grave ainda é que, nestes casos, a mesma equipa médica está também de apoio aos doentes internados da Medicina Interna e apoio a todas as urgências das restantes especialidades do internamento (exceptuando Pediatria).

"Todos os casos que estão a chegar à Ordem dos Médicos são do conhecimento do Conselho de Administração e da Direção Clínica do Centro Hospitalar de Leiria. Esta situação está a passar a linha vermelha, há camas e macas por todo o lado, é desumano o que está a acontecer no Hospital de Santo André", assume. o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

Carlos Cortes assevera: "Estamos perante uma calamidade neste hospital público. O que se passa nesta urgência é desumano. Os profissionais de saúde que não têm condições para praticarem cuidados de saúde adequados aos doentes e em total segurança. Esta é a razão pela qual entregaram as declarações de responsabilidade. Apesar de todas as dificuldades, têm dados provas de atos de heroísmo permanentes".

Por não estarem asseguradas as condições mínimas de acolhimento aos doentes no serviço de Urgência do Hospital de Santo André, a SRCOM exorta ao Ministério da Saúde a que possa adequar a estrutura do hospital à sua área de influência e que atribua os recursos humanos e financeiros à verdadeira realidade desta instituição vital para a região. "Se nada for feito, a cada dia, é mais um acumular de riscos para os doentes," alerta Carlos Cortes.

 

Coimbra, 1 de fevereiro 2019