Desqualificação do Hospital dos Covões configura desobediência
Conselho de Administração do CHUC não cumpre com os pressupostos expressos pelo Ministério da Saúde

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), tendo conhecimento da inexistência de um estudo prévio sobre a desclassificação e redução da capacidade de resposta de Serviço do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), nomeadamente numa das suas unidades hospitalares mais importantes, o Hospital dos Covões, exige que a Ministra da Saúde clarifique a posição da tutela sobre o futuro deste Hospital.

 

O Ministério da Saúde assume, em correspondência enviada à Ordem dos Médicos, a inexistência de qualquer estudo sobre a desclassificação da urgência do Hospital Geral, comummente conhecido como Hospital dos Covões. Mais, a própria tutela esclarece que essa desqualificação nunca poderia ter lugar sem autorização superior e sem a existência de um estudo técnico.

 

Neste sentido, a SRCOM alerta que esta posição do Conselho de Administração do CHUC configura, na prática, um ato de desobediência perante o Ministério da Saúde.

 

Assim, a SRCOM insta o Conselho de Administração do CHUC a reverter o caminho de desmantelamento já iniciado e a respeitar as orientações provenientes superiores.

 

Desde o início do ano, a capacidade de internamento do Hospital dos Covões passou de 205 para 134 camas, o que representa uma redução de 71 camas. A Unidade de Cuidados Intensivos Coronários e os serviços de internamento de Cardiologia, Ortotraumatologia e Pneumologia foram extintos, entre outros.

 

O serviço de urgência – período das 09h00 às 21h00 – perdeu quase metade da equipa. Hoje as urgências são asseguradas por uma equipa de 8 médicos, dos quais apenas 2 são especialistas, quando até ao início de março eram asseguradas por 15 médicos, dos quais 6 especialistas eram médico-cirúrgicos.

 

Segundo Carlos Cortes, “o que está a acontecer não é o desmantelamento de um hospital, é muito mais do que isso, é a contração perigosa de todo o CHUC diminuindo a sua capacidade de resposta e o apoio que tem dado à população de toda a região centro.”

 

O presidente da SRCOM acrescenta que “quem pensa desta forma tem uma estratégia minimalista para os cuidados de saúde e está a comprometer um pilar fundamental da oferta em saúde no nosso país”.

 

Coimbra, 27 de julho 2020